Violência contra a mulher

Os números gritam, precisamos ouvir

Santa Catarina registrou 31.655 medidas protetivas em 2025

(foto: reprodução)
(foto: reprodução)

A violência contra a mulher não surge de forma repentina nem acontece de maneira isolada. Ela se constrói aos poucos, em silêncios impostos, em sinais ignorados e em comportamentos naturalizados. Antes de virar estatística, houve dor, medo e pedidos de ajuda. É a partir dessa compreensão que a Amfri lança a campanha Violência contra a mulher – Os números gritam. Precisamos ouvir, trazendo ao debate público uma mensagem direta, dura e necessária: os números gritam, e ignorá-los é permitir que a violência continue avançando.

Os dados que fundamentam a campanha revelam um cenário alarmante em Santa Catarina. São 31.655 medidas protetivas, 17 mil registros de lesão corporal dolosa, 5146 ocorrências de vias de ...

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Os dados que fundamentam a campanha revelam um cenário alarmante em Santa Catarina. São 31.655 medidas protetivas, 17 mil registros de lesão corporal dolosa, 5146 ocorrências de vias de fato, 550 casos de estupro e 52 feminicídios, em 2025, segundo o Observatório da Violência contra a Mulher SC. Cada número representa uma mulher, uma história atravessada pela violência, uma vida marcada por medo e insegurança. Quando observados de forma isolada, esses dados podem parecer frios. Mas, quando reunidos, formam um retrato contundente de uma realidade que não pode mais ser ignorada.

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A ideia criativa da campanha rompe com a lógica da estatística distante. Aqui, os números deixam de ser apenas dados e passam a ser tratados como vozes. Vozes que carregam traumas invisíveis, silêncios forçados e histórias reais. O conceito estabelece uma metáfora clara: os números gritam porque denunciam ciclos de violência que poderiam ter sido interrompidos. Ouvir, nesse contexto, não é apenas escutar, mas reconhecer sinais, acolher vítimas e agir antes que a violência alcance estágios irreversíveis.

O key visual materializa essa ideia por meio de uma metáfora forte e simbólica: as matrioskas. Tradicionalmente associadas ao ambiente doméstico, elas representam o espaço onde grande parte da violência contra a mulher acontece. As bonecas encaixadas ilustram o acúmulo da violência ao longo do tempo, revelando como agressões se escondem, se repetem e se agravam. Cada figura corresponde a uma etapa do ciclo da violência, desde as primeiras agressões até o desfecho mais extremo, tornando visível aquilo que muitas vezes permanece invisível.

Destacando o visual da campanha, onde cada detalhe foi pensado para gerar impacto e despertar a atenção do público, o enquadramento em plongée reforça a sensação de vulnerabilidade e subjugação, enquanto as marcas físicas e emocionais evidenciam que a violência vai além do corpo. Ela atinge a autoestima, a autonomia, a dignidade e a vida cotidiana das mulheres. O fundo em tom de pele, marcado por manchas avermelhadas, convida o observador a sentir na própria pele o impacto da violência. Já os números aparecem como balões de fala, transformando estatísticas em alertas visuais que exigem atenção imediata.

Mais do que conscientizar, a campanha orienta e aponta caminhos. Denunciar é um direito e um ato de proteção. Os canais oficiais, como o Ligue 181, o 190 em situações de emergência e o atendimento da Polícia Civil são instrumentos fundamentais para interromper o ciclo da violência, garantir acolhimento e preservar vidas. Buscar ajuda é um passo decisivo e pode evitar que a violência avance.

Ao liderar essa campanha, a Amfri reafirma seu compromisso com a vida, a dignidade e a proteção das mulheres, fortalecendo, junto aos municípios, políticas públicas de prevenção, acolhimento e enfrentamento à violência. A mensagem final é clara: violência contra a mulher não é um problema privado, é uma responsabilidade coletiva. Ouvir os números é o primeiro passo para agir. O silêncio, nesse contexto, também machuca.



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