MAR SOB SUSPEITA

Bombinhas: laudo aponta bactérias 8500 vezes acima do permitido

Contagem mostra contaminação em ponto que deságua no mar

Morador publicou uma série de vídeos mostrando água escura e cheiro forte despejados em rios e praias da cidade (Foto: Reprodução)
Morador publicou uma série de vídeos mostrando água escura e cheiro forte despejados em rios e praias da cidade (Foto: Reprodução)

Um laudo técnico identificou 17 milhões de bactérias escherichia coli em 100 mililitros de água em Bombinhas — 8,5 mil vezes acima do limite considerado próprio para banho pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (Ima). O ponto analisado fica em curso d’água que segue em direção ao mar. Pelo critério usado para classificar água como própria para banho, o limite é 2 mil.

O parecer técnico foi elaborado pela Disner & Schulter Consultoria em Análises e Soluções Ambientais Ltda., nome fantasia GHR Labor. As coletas foram feitas em 21 de janeiro, em três pontos de ...

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O parecer técnico foi elaborado pela Disner & Schulter Consultoria em Análises e Soluções Ambientais Ltda., nome fantasia GHR Labor. As coletas foram feitas em 21 de janeiro, em três pontos de um curso d’água perto da rua Macaco, no bairro José Amândio: antes do despejo; no local onde o efluente entra e depois da mistura da água. A Prefeitura de Bombinhas foi procurada, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem.

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“Tem acontecido direto”

A denúncia ganhou força na página @amar_mariscal, onde um morador publica vídeos mostrando água escura e com forte cheiro em diferentes pontos da cidade. 

“A questão de esgoto na praia é uma coisa frequente, tem acontecido direto. Frequentemente, eu recebo várias denúncias e vou checar os fatos”, afirmou. Segundo ele, os casos não são isolados. “Então essa questão não é pontual, tem esgoto no Mariscal, tem esgoto no Canto Grande, tem esgoto em Bombas, tem esgoto em Quatro Ilhas. A empresa [Águas de Bombinhas] não tá nem aí...”.

Ele diz que prefere não aparecer. “Não quero me identificar porque já me perseguem aqui por causa das minhas denúncias”. O morador afirma que não quer atacar a cidade. “A nossa ideia não é caluniar, difamar Bombinhas. Eu moro aqui, eu também vivo do turismo. O que eu quero é alertar a população do que realmente está acontecendo”.

Em outro trecho, ele desabafa: “A gente vê um descaso total com o meio ambiente, descaso total com a população de Bombinhas. Eu adoraria estar postando coisa assim ‘Bombinhas é o menor município do estado, é exemplo de sustentabilidade’, mas nada aqui funciona, é um caos”.

Ele também critica a estrutura da cidade na temporada e diz que o problema do esgoto é antigo. “Tu vê minhas publicações antigas de dois, três anos atrás. Isso é normal, todo ano ocorre várias vezes, alta temporada principalmente, porque a população multiplica e não tem capacidade”.

TPA entra na discussão

A revolta nas redes sociais cresce porque Bombinhas cobra a Taxa de Preservação Ambiental (TPA) de quem não é morador e entra na cidade com veículo entre novembro e abril. A tarifa varia de R$ 5 para motocicletas, R$ 40 para carro e chega a R$ 200 para ônibus. 

No site oficial, a prefeitura descreve Bombinhas como “patrimônio universal”, com Mata Atlântica, restingas, manguezais, costões rochosos e grande diversidade marinha. A administração afirma que a taxa é usada para preservar o meio ambiente, investir em fiscalização, educação ambiental, recuperação de vegetação e manutenção da infraestrutura.

O morador critica a TPA, cita lixo nas praias, falta de banheiros e excesso de turistas na temporada. Para ele, a cidade vive um caos. “O dinheiro da TPA não é usado para preservar o meio ambiente”.

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Comparação mostra o tamanho do problema

Pra entender o tamanho da contaminação, é preciso olhar para a regra usada pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (Ima). Pela norma, a água já é considerada imprópria para banho quando a última análise passa de 2 mil bactérias e. coli em 100 mililitros de água.

No laudo feito em Bombinhas, o ponto onde o efluente entra no rio apresentou 17 milhões de e. coli. Isso é 8,5 mil vezes acima do limite que já deixa a água imprópria. A título de comparação, é como se o nível aceitável fosse um copo pequeno e o resultado encontrado equivalente a um caminhão-pipa.

O que mais diz a análise do laudo

O laudo mostra que o problema não se limita ao ponto onde o esgoto entra. A contaminação continua rio abaixo e o próprio documento afirma que o curso d’água já apresentava sinais de comprometimento antes mesmo do lançamento.

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A análise também registrou nível de oxigênio abaixo do considerado adequado para a vida aquática, o que indica água sobrecarregada por matéria orgânica e pode afetar peixes e outros organismos — situação que, segundo o morador, já foi percebida no local.

O relatório aponta ainda água com alta turbidez, sinal de presença de resíduos, além de substâncias associadas a esgoto doméstico, como nitrogênio amoniacal e fósforo total, comuns em fezes, urina e produtos de limpeza.

Também foi identificado um composto químico ligado a combustíveis e solventes, o que pode indicar que o despejo não seja exclusivamente doméstico, mas também industrial.

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O que é escherichia coli (e. coli)

Escherichia coli (e. coli) é uma bactéria que vive naturalmente no intestino de humanos e animais. A maioria das cepas é inofensiva e até ajuda na digestão. O problema é quando aparece fora do organismo — principalmente na água. Nesse caso, funciona como indicador de contaminação por fezes, ou seja, sinal de esgoto.

Algumas variantes podem causar diarreia, infecção urinária, vômitos e até complicações graves, especialmente em crianças, idosos e pessoas com imunidade baixa. Em análise ambiental, quando a e. coli está acima do limite, a água é considerada imprópria para banho.

O que diz a Águas de Bombinhas

A Águas de Bombinhas afirmou que não conhece o laudo nem os critérios usados na análise. Disse que o rio da Barra recebe contribuições de drenagens do município e que há ligações clandestinas de esgoto nessas redes, que acabam chegando aos rios e ao mar.

A empresa informou que o lançamento do efluente tratado da Ete José Amândio é autorizado pelo órgão ambiental e que cumpre a legislação, com monitoramento feito por laboratório acreditado pelo Inmetro. Também questionou se o laboratório do laudo tem acreditação.

Segundo a concessionária, o sistema atende cerca de 20% da cidade, com capacidade de 50 litros por segundo. O restante da população deve dar destinação adequada ao esgoto até ser atendido pela rede pública. A empresa afirmou ainda que o sistema está em perfeito funcionamento e que continua orientando a população para evitar ligações clandestinas.



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