Moradores do bairro Armação, em Penha, denunciam uma série de problemas causados por uma obra em andamento perto da rua Goiás, 568. O terreno foi comprado por um homem identificado como P.C., que é acusado pela vizinhança de manipulação, intimidação e até racismo.
De acordo com uma moradora, que preferiu não se identificar, P.C. a acusou de viver ilegalmente em sua própria casa e a chamou de invasora. Ela também afirma ter sido vítima de racismo. Outro morador ...
De acordo com uma moradora, que preferiu não se identificar, P.C. a acusou de viver ilegalmente em sua própria casa e a chamou de invasora. Ela também afirma ter sido vítima de racismo. Outro morador reuniu informações em um documento que aponta os impactos negativos da obra na vizinhança.
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Segundo um morador da rua Mauro Schneider, 543, a obra se estende da avenida Eugênio Krause até a rua Paraíba. Ele relata que, após o aterro de parte do terreno feito por P.C., a saída da água foi bloqueada, resultando em acúmulo nos fundos da sua casa. A água parada ficou verde e provocou aumento na proliferação de mosquitos, além de atrair outros animais. Uma foto enviada ao DIARINHO mostra uma aranha na parede de uma das moradias.
Os moradores afirmam que, mesmo com os pedidos para resolver a situação, o responsável pela obra apenas respondeu que aguarda uma liberação ambiental para aterrar o restante do terreno. Ele teria dito que não pode mexer sem autorização e que os moradores podem reclamar para a prefeitura.
Ainda conforme relato da comunidade, P.C. teria afirmado que precisa manter um terço do terreno como área verde, justamente a parte próxima à casa de um dos vizinhos, por ter mais árvores. Ele já teria feito movimentações semelhantes em dezembro de 2023.
Um dos moradores aponta que a solução correta seria canalizar a água e não aterrar, já que isso pode fazer com que a água invada as casas vizinhas, como já ocorreu antes.
J.R.B. afirma que foi acusado de não ter documentos da sua casa. Ele registrou boletins de ocorrência na Polícia Civil, na Polícia Militar e também procurou o Ministério Público.
J.R.B. afirma que a obra é ilegal e que há uma nascente no local. Segundo ele, ao procurar o Instituto do Meio Ambiente de Penha (Imap), os servidores demonstraram já conhecer o caso, mas não tomaram providências.
RESPOSTA DA PREFEITURA
Em um áudio enviado ao DIARINHO, P.C. disse que ainda não fez as adequações no terreno porque está tentando regularizar a situação junto aos órgãos competentes, como a vigilância sanitária e o Imap. Ele alegou que o pedido para finalizar a obra foi negado.
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Um documento de 2025, compartilhado pela secretaria da saúde de Penha, mostra que a prefeitura está ciente da situação. O relatório recomenda a instalação de tubulações de drenagem na área desmatada, direcionando a água para a rua Paraíba até a vala mestra. Também foi emitido um auto de intimação para a drenagem da água parada, com envio de relatório ao Imap para possível auxílio na instalação dos tubos.
Os moradores, no entanto, afirmam que nada foi feito até agora. A comunidade formalizou três protocolos junto à Vigilância Sanitária, à Fiscalização de Obras e à Ouvidoria do Meio Ambiente, e aguarda uma solução efetiva para o problema.