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Motorista é salva da morte após carro despencar no rio

Dois rapazes pularam no Itajaí-açu e impediram que ela afundasse

Carro afundou no Itajaí-açu e deve ser removido ainda neste sábado (Foto: Fran Marcon)
Carro afundou no Itajaí-açu e deve ser removido ainda neste sábado (Foto: Fran Marcon)
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Uma mulher de 55 anos escapou da morte na manhã de sábado depois que o carro dela caiu no rio Itajaí-açu, que margeia a avenida Reinaldo Schmithausen, no bairro Cordeiros, em Itajaí. O Fox branco despencou na água na curva em frente ao posto de gasolina, ao lado do passeio público do parque náutico Odílio Garcia, segundos após ser atingido por um caminhão que seguia pela via e não parou para prestar socorro. O resgate só foi possível porque dois rapazes pularam no rio e arrancaram a motorista de dentro do carro. Por coincidência, duas jornalistas do DIARINHO presenciaram o salvamento.

Angela Maria Pureza Gonçalves, zeladora, natural de São Paulo e moradora de Itajaí há sete meses, voltava para casa depois do plantão. Ela dirigia devagar pela curva conhecida por outros acidentes, quando percebeu que havia algo errado com o caminhão que seguia atrás dela. “Eu vi que ele vinha com tudo… desde lá de trás. Eu não estava perto dele. Só senti um toque, um toque sutil. Continuei. Quando vi, eu já estava indo”, relatou, muito nervosa e em lágrimas.

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O impacto fez o Fox subir na mureta e ficar por alguns segundos preso na borda antes de cair no rio. A cena assustou motoristas e pedestres que passavam pela avenida. O caminhão, segundo as testemunhas, seguiu adiante e não prestou socorro.

Giovane Souza, um dos heróis do resgate, estava sentado próximo ao local quando ouviu o barulho e correu para a margem. Ele contou à jornalista Ana Zigart que viu o exato momento em que o Fox encostou na carreta. “Eu só escutei o motoqueiro buzinando. O carro dela encostou na carreta”, explicou. Para ele, Angela ainda tentou evitar que o pior acontecesse. “Ela jogou a direção para frente da carreta… perdeu o controle e caiu o carro".

Nos segundos seguintes, Giovane e outro rapaz — um venezuelano que passava pela via — se jogaram no rio para tentar tirá-la de dentro do veículo. Eles alcançaram a porta do Fox e tentaram abrir antes que a água tomasse tudo. Giovane conseguiu destravar a porta, mas quando abriu, o carro foi engolido pela água rapidamente. “Na hora que eu abri a porta, o carro desceu muito rápido”, relatou.

O venezuelano soltou o cinto da motorista, mas ficou preso pela perna quando a porta bateu de volta com a força da água. Mesmo machucado, ele não desistiu de segurar Angela enquanto o veículo afundava. Por instinto, ela se agarrou em Giovane. “Ela segurou na minha perna, segurou na minha mão”.

A jornalista Fran Marcon, do DIARINHO, conta que o desespero tomou conta do local. “Quando ele abre a porta para tirar ela, entra muita água. Daí o carro desaparece…” Por alguns segundos, ninguém sabia se Angela tinha conseguido sair. “Os meninos também estavam desesperados… porque não sabiam se tinha dado certo ou não”. Até que ela emergiu ao lado do carro. “Ela se agarrou neles com muita força. O rapaz achou que ia morrer afogado”.

Desespero da sobrevivente

Tremendo e chorando sem parar, tentava organizar os pensamentos enquanto repetia frases curtas. “Meu Deus, a gente não é nada… Eu engoli muita água. Ainda bem que Deus me deu força para eu subir, porque o carro já tinha afundado comigo, né?”, disse. Ela mora no bairro Cordeiros, perto do Votorantim, e trabalha como zeladora terceirizada na FP Prestadora de Serviços. Tinha acabado de sair do plantão e seguia para casa quando tudo aconteceu. Em meio ao choro, contava que não entendeu o que estava acontecendo, sentiu apenas “um toque” e viu o carro sendo arrastado para o rio. A preocupação maior, depois de sobreviver, era o filho que vinha ao encontro dela e o Fox sem seguro, parado no fundo do rio Itajaí-açu.

Enquanto Angela tentava se acalmar, o venezuelano que ajudou a resgatá-la foi levado pelo Samu com lesão na perna. Giovane não se machucou. O vice-prefeito Rubens Angioletti, que retornava de Luiz Alves, prestou apoio à vítima, que estava sentada molhada e tremendo.

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Angela aguardava o filho para acompanhá-la no atendimento e ver a retirada do veículo, feita ainda no sábado. Abalada, dizia apenas que ainda não conseguia acreditar que estava viva. Nas mãos, ela carregava a chave que tirou da ignação. "Não sei para que, é o costume", resumiu.


Palco de várias tragédias

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A curva da avenida Schmithausen já foi palco de outros acidentes fatais. Anos atrás, Fran cobriu a queda de um Fusca no rio — o motorista, um servidor público, morreu antes de conseguir sair.

Em outra ocasião, ela se dirigia ao baile da própria formatura de Jornalismo quando soube que uma jovem havia caído na água na mesma curva. A moça, que voltava da igreja, não resistiu.

Ao ver Angela surgir na superfície, a jornalista reviveu todas essas memórias de desespero e perda. “Foi uma vitória ver que ela está bem”, disse, emocionada. O Fox foi removido ainda na tarde de sábado com apoio de guincho especializado. O caminhão já foi identificado pela Codetran.

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