Que bacãona

Programa em que presidiários tratam dogs vira modelo de Itajaí pro Brasil

ReabilitaCão dá trabalho para internos e ajuda cães vítimas de maus tratos

Projeto funciona em canil dentro do complexo prisional da Canhanduba
(fotos: João Batista)
Projeto funciona em canil dentro do complexo prisional da Canhanduba (fotos: João Batista)
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O programa ReabilitaCão é legal já pelo trocadilho, mas vai muito além disso. O projeto nascido em Itajaí há cerca de seis anos ajuda na reintegração social de presos por meio do cuidado com cães vítimas de maus-tratos, virou referência pro Brasil, ganhou prêmios e está sendo ampliado para outras unidades do estado pela Secretaria de Justiça e Reintegração Social (Sejuri).

A fórmula do sucesso é simples: parceria entre órgãos públicos e entidades, resultado na vida dos detentos e no tratamento dos animais, e muito amor e dedicação envolvidos. O espaço do ...

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A fórmula do sucesso é simples: parceria entre órgãos públicos e entidades, resultado na vida dos detentos e no tratamento dos animais, e muito amor e dedicação envolvidos. O espaço do projeto funciona no complexo prisional da Canhanduba, em Itajaí. No local tem canil, coordenação, sala de aula, espaço para cursos de banho e tosa e pátio para diversas atividades.

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O programa foi idealizado em 2019 pela policial penal Bruna Longen. A estrutura começou pequena, com 10 animais, e hoje abriga 50 cães e já atendeu mais de 300 presos. Os animais são tratados pelos internos do regime semiaberto, selecionados por equipe multidisciplinar. O benefício é mútuo, tanto pra recuperação dos cães como pra ressocialização dos presos.

Bruna explica que os animais são encaminhados pelo Instituto Itajaí Sustentável (Inis) já castrados. São cães que foram vítimas de maus-tratos ou abandono. Após o tratamento no canil, eles são destinados pra adoção. Por ano, cerca de 60 animais ganham novos lares após passarem pelo programa. Já os presos que participam de cursos de qualificação, são preparados para o mercado de trabalho.

“Era um projeto e agora virou programa de estado. Então, a gente quer que quase todas as nossas unidades tenham. A expectativa é que, até o final do ano, pelo menos mais cinco a gente consiga [abrir]. Tem Lages, São Pedro de Alcântara, Chapecó, Curitibanos e Tijucas, entre várias cidades”, informa Bruna, que está na coordenação estadual do programa.

Ideia ganha espaço e pode ser “exportada” para outros estados

Bruna frisa que os benefícios são mútuos
Bruna frisa que os benefícios são mútuos

 

Neste mês, foi assinado o convênio pra implantação do projeto no Presídio Masculino de Lages. As obras começaram com a construção do canil e vão seguir nos próximos meses com a estruturação para as atividades que podem iniciar ainda neste ano. “Vai ser a segunda unidade com o ReabilitaCão no estado. E outra, depois de Lages, que está bem adiantada, é São Pedro de Alcântara”, informa Bruna.

O programa, habilitado pelo governo federal para ser adotado em todo o país, também atraiu a atenção de outros estados para implantação, com interesse do Piauí, Bahia, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. Além da expansão para outras unidades, em Itajaí o espaço também tem projeção de ser ampliado, com capacidade pra acolher até 150 cães. No programa, o estado entra com a parte da infraestrutura e o município com a manutenção, fornecendo ração, medicamentos, vacinas e outros insumos.

O programa conta com apoio da justiça estadual e recursos da justiça federal. As parcerias permitem tocar as atividades sem altos custos. Devido ao impacto social e ambiental, o projeto foi vencedor do 27º Prêmio Expressão de Ecologia, na categoria “Bem-Estar Animal”, principal distinção ambiental do sul do Brasil, com quase três mil inscritos.

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Bruna não esconde o orgulho de ver a ideia sendo “exportada” para outras unidades e virando modelo nacional. “A gente cuida com carinho porque vê o resultado”, comenta.

Preparação para o mercado de trabalho

Com a ampliação, o projeto segue se firmando como política pública, unindo justiça, saúde emocional e proteção animal no sistema prisional catarinense. Em Itajaí, o programa atende presos do regime semiaberto da penitenciária. Não podem participar condenados por crimes sexuais ou de maus-tratos a animais e por organização criminosa. O bom comportamento também entra nos critérios.

 

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Presos fazem cursos de banho e tosa e ajudam a cuidar dos animais em tratamento (Foto: João Batista)

“Aqui eles ficam numa equipe fixa, geralmente de cinco a 10 presos, e a equipe rotativa, que é o semiaberto inteiro, com 300 presos mais ou menos”, explica Bruna. Os selecionados fazem cursos de banho e tosa, de auxiliar de veterinário e de adestramento canino. Há uma sala pra parte teórica e outra equipada pras atividades práticas. A formação conta com professores e empresas parceiras.

“A gente qualifica o preso para o mercado de trabalho”, destaca Bruna. Ela conta que um grupo de internos abriu um petshop após passar pelo projeto e outros foram contratados por parceiros para trabalhar na área, incluindo empresas e órgãos públicos, como o Canil Municipal. O trabalho dos presos no projeto é remunerado e também serve pra redução de pena. 

Um dos participantes, de 32 anos, está desde janeiro trabalhando no ReabilitaCão. Ele já fez os cursos de banho e tosa e de auxiliar de veterinário, e recebeu uma proposta pra trabalho externo, que só espera pela autorização da juíza. “São dois cursos que estão me ajudando bastante, que abriram umas portas para mim, até para trabalhar na rua, em trabalho externo”, relatou.

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Ele ainda destacou a importância do cuidado com os cães, com os quais os presos acabam ficando apegados. “Para a gente é bastante gratificante também. Chegam os cachorrinhos aqui, às vezes machucados, às vezes em situação de abandono, a gente cuida deles, medica com o auxílio de veterinário, e depois vê eles serem encaminhados para um lar, onde a gente sabe que eles vão ser bem cuidados, então isso é muito gratificante”, disse.

Na conversa com o DIARINHO, o interno fez questão de agradecer aos responsáveis pelo projeto. “Quero aproveitar a oportunidade para agradecer os órgãos competentes que deram oportunidade desse projeto ser implantado aqui, em especial à dona Serenita [Maria Serenita, coordenadora local], que auxilia a gente muito aqui e à dona Bruna [Longen]”, completou.



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