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Da porta de casa para fora – referências ao Dia Internacional da Mulher


Gênero tem duas dimensões: gramatical e social. Na gramática, masculino e feminino são substantivos que exigem artigos “o”, “um”, “a”, “uma”. Em dimensão social, gênero diz respeito a fenômenos de construção social e de identidades sociais. Essas identidades de gênero são orientadas por características institucionais e culturais. Muitas sociedades definem os papéis e limites das pessoas em uma sociedade por gênero: cabelo, obrigatoriedade de uso de vestimentas, limitação ou proibição de ocupações profissionais ou de cotidiano.

As diferenças entre masculino e feminino se camuflam em desigualdades sociais e políticas. Proibições e limites entre gênero são adotados pelas diferenças entre sexo [dimensões biológicas de cromossomos e órgãos reprodutivos]. Aos conservadores, o gênero feminino estaria relacionado a características inatas de sensibilidade, cuidados sem exigência de força muscular [cuidar do lar, por exemplo], enquanto o masculino é constituído por força muscular, caça [sociedades pré-industriais] ou provimento material [sociedades modernas], liderança social e política, racionalidade instrumental e econômica.

Por razões históricas, mulheres passaram a exercer atividades “da porta para dentro de casa” – o mundo privado, aquele das atividades familiares, dos cuidados dos filhos, da cozinha, da limpeza da casa, foi designado às mulheres. Ainda hoje e de forma geral, parece ser um imperativo social que mulheres tenham inclinação a essas tarefas, um pressuposto cultural de que essas atividades se revelam por determinismo de gênero. As mulheres exercem um conjunto de micropoderes: as escolhas dos alimentos em um supermercado, as definições de roupas para eventos não-cotidianos, os diálogos com especialistas sobre saúde e tratamento... são, fartamente, dedicados às mulheres. O primeiro brinquedo – uma boneca – logo indica sua trajetória social.

Aos homens caberiam as responsabilidades públicas – o carrinho como símbolo do mundo público, ali onde o reconhecimento e aplausos são observados, de onde se levantam os grandes líderes ...

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As diferenças entre masculino e feminino se camuflam em desigualdades sociais e políticas. Proibições e limites entre gênero são adotados pelas diferenças entre sexo [dimensões biológicas de cromossomos e órgãos reprodutivos]. Aos conservadores, o gênero feminino estaria relacionado a características inatas de sensibilidade, cuidados sem exigência de força muscular [cuidar do lar, por exemplo], enquanto o masculino é constituído por força muscular, caça [sociedades pré-industriais] ou provimento material [sociedades modernas], liderança social e política, racionalidade instrumental e econômica.

Por razões históricas, mulheres passaram a exercer atividades “da porta para dentro de casa” – o mundo privado, aquele das atividades familiares, dos cuidados dos filhos, da cozinha, da limpeza da casa, foi designado às mulheres. Ainda hoje e de forma geral, parece ser um imperativo social que mulheres tenham inclinação a essas tarefas, um pressuposto cultural de que essas atividades se revelam por determinismo de gênero. As mulheres exercem um conjunto de micropoderes: as escolhas dos alimentos em um supermercado, as definições de roupas para eventos não-cotidianos, os diálogos com especialistas sobre saúde e tratamento... são, fartamente, dedicados às mulheres. O primeiro brinquedo – uma boneca – logo indica sua trajetória social.

Aos homens caberiam as responsabilidades públicas – o carrinho como símbolo do mundo público, ali onde o reconhecimento e aplausos são observados, de onde se levantam os grandes líderes. As atividades da vida pública estariam destinadas aos homens em virtude de sua origem na espécie desde o processo de caça, obtendo encontros fortuitos com outros grupos, provocando relacionamentos amigáveis e guerras, domínio e liderança pública, racionalizando as formas de obtenção de sucesso e aplausos.

As discussões atuais sobre Democracia de Gênero prescrevem a necessidade de se observar a história da humanidade, a jornada dessa espécie e verificar as estruturas institucionais e suas versões culturais que nos trouxeram até aqui. Há institucionalidades implacáveis que continuam a se impor, como mãos invisíveis, sobre nossas condutas. Fazemos coisas que estão incorporadas [feitas corpo] e parecem naturais [naturalizadas por nós]. O domínio do “lar” e a liderança “pública” foram formados como esferas de gênero, socialmente construídas, tijolo a tijolo, a desenhar nossa sociedade e nossa forma de agir, sentir e pensar [formas culturais que se movimentam em nossas veias e nas ruas ao mesmo tempo].

Por certo, podemos observar movimentos – individuais e de pequenos grupos em sua maioria – de atuação das mulheres nos mais variados setores antes segregados aos homens. E é especialmente no campo político, onde as decisões para todos são delegadas a alguns, que necessitamos urgentemente de mulheres a agir, sentir e pensar. A mudança do padrão cultural foi iniciada pelas cotas de gênero [institucionalidade política] e, passo a passo, precisa caminhar para a ação prática, para a participação direta [não-delegada], para a afirmação de igualdade política e social.

E é pela educação social e institucional que podemos acelerar o desenvolvimento humano. O cérebro humano é extraordinário, excepcional. Não é uma desvantagem de espécie que nossos bebês nasçam sem autonomia para caminhar e procurar seu alimento logo após o nascimento como em outras espécies. A autonomia humana se dá com o amadurecimento do cérebro, capaz de assumir valores sociais e de pensar seu próprio futuro. A necessidade de cooperar, competir, criar e se adaptar, de armazenar e transmitir informações e conhecimentos entre gerações como nenhuma outra espécie é capaz nos transforma em seres especiais.

Nas referências ao Dia Internacional da Mulher [institucionalidade que nos atinge positivamente], cabe pensarmos sobre a violência de gênero [especialmente de homens dirigida às mulheres, embora haja eventos do inverso que não podem ser desconsiderados pelo fato de simplesmente serem violência], sobre os domínios relativos ao poder “da porta para dentro de casa” e “da porta para fora de casa”, e, radicalmente, nos formatos da educação dos cérebros que nascem “imaturos” e precisam se desenvolver com experiências socioeducacionais.

A Educação para a Democracia de Gênero deve nos servir “para testemunhar que a competência política, no sentido da capacidade socialmente reconhecida, é uma das aptidões que só se detém na medida que se reconhece o direito e o dever de detê-las [BOURDIEU, Pierre. A Distinção: crítica social do julgamento. São Paulo: Edusp, 2008; p. 384]. É como aquele aluno que se sente intimidado a fazer uma pergunta em sala de aula: “a propensão para tomar a palavra [...] é estritamente proporcional ao sentimento de se ter o direito à palavra” [idem].

A inclinação à PARTICIPAÇÃO POLÍTICA é diretamente proporcional ao sentimento de se TER DIREITO DE PARTICIPAR DA POLÍTICA. Educando-nos a esta condição de vida, “abriremos os corpos”, faremos a incorporação que as MULHERES PRECISAM CAMINHAR NESTE DOMÍNIO, e que TODOS QUE ESTÃO NESTA LUTA DEVEM SER FESTEJADOS – HOMENS OU MULHERES.

MINHAS CONGRATULAÇÕES AOS QUE LUTAM POR DEMOCRACIA DE GÊNERO – HOMENS OU MULHERES! A EDUCAÇÃO SE FAZ A QUALQUER TEMPO!

 

Mestre em Sociologia Política


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