Por Alfa Bile - alfabile@gmail.com
Fotógrafo, poeta e escritor. Autor do livro Lume, suas obras Fine Art já decoram hotéis como Hilton e Mercure. Publicado pela National Geographic e DJI Global @alfabile | @alfabilegaleria
Publicado 09/03/2026 11:08
Hoje, explorando poemas de autores latino-americanos, encontrei um texto que me tocou profundamente. O poema é “Te quiero”, de Mario Benedetti.
Benedetti nasceu no Uruguai em 1920 e se tornou uma das vozes mais importantes da literatura latino-americana do século XX. Sua obra atravessa poesia, romance, ensaio e crônica, sempre com uma marca muito particular: uma escrita direta, humana e profundamente ligada à vida cotidiana. Durante as ditaduras militares na América Latina, viveu anos de exílio, e sua literatura passou a dialogar ainda mais com temas como justiça social, liberdade e dignidade humana.
Talvez por isso seus poemas de amor sejam tão diferentes. O amor, em Benedetti, não é apenas sentimento íntimo. É também companheirismo, ética, luta compartilhada.
Foi exatamente isso que senti ao ler “Te quiero”.
Mario Benedetti —
Te quiero
Tus manos son mi caricia
mis acordes cotidianos
te quiero porque tus manos
trabajan por la justicia
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
tus ojos son mi conjuro
contra la mala jornada
te quiero por tu mirada
que mira y siembra futuro
tu boca que es tuya y mía
tu boca no se equivoca
te quiero porque tu boca
sabe gritar rebeldía
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
y por tu rostro sincero
y tu paso vagabundo
y tu llanto por el mundo
porque sos pueblo te quiero
y porque amor no es aureola
ni cándida moraleja
y porque somos pareja
que sabe que no está sola
te quiero en mi paraíso
es decir que en mi país
la gente viva feliz
aunque no tenga permiso
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos.
O poema fala de um amor que nasce nos detalhes: nas mãos que trabalham, nos olhos que enxergam futuro, na boca que grita rebeldia. Não é um amor idealizado ou distante. É um amor que caminha lado a lado na rua, que enfrenta o mundo junto.
E há um verso que resume essa ideia com uma beleza simples:
“y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos”
Amar, aqui, não é apenas sentir. É estar junto no mundo.
Talvez por isso esse poema tenha me tocado tanto. Ele dialoga muito com aquilo que eu gosto de escrever: amor misturado com vida real, com gente, com esperança, com pequenas coisas que carregam significado.
Benedetti tinha esse talento raro de transformar o cotidiano em poesia sem perder profundidade. Seus versos são simples na forma, mas enormes na humanidade.
Lendo esse poema hoje, senti aquela sensação boa de reconhecimento — como quando encontramos em palavras de outro aquilo que também acreditamos sobre o amor e sobre a vida.
📸 ✍️ Alfa Bile
VersoLuz | Jornal Diarinho
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