Status é a situação social que se refere à posição de uma pessoa em relação à distribuição de prestígio. Status se relaciona a honras e honrarias, indica componentes de poder, de autoridade, e obrigações. Como “moeda” que cada um busca obter no mercado de prestígio e honras, e que envolve poder e autoridade, as pessoas procuram se colocar nos níveis mais altos de status de acordo com os ambientes nos quais se localizam. Um operário, um artista, um cientista, um empresário encontram os parâmetros próprios de seu grupo para poder se destacar em seu próprio grupo.
Status significa “como você quer ser visto pelos outros”, e isso tende a expor a prepotência, o egoísmo, a vaidade de um membro de grupo social – caráter. As redes sociais formam terreno propício a este fim: sorrisos constantes para expressar alegria de instante, braços levantados para refazer os contornos corporais, exposição de consumo para definir a capacidade de satisfazer desejos. Ainda que a vida real e interior esteja em frangalhos e que a organização da casa esteja em estado precário, a exposição aos outros precisa ser controlada. Depois das fotos e vídeos, e de manter na penumbra o que deve ser escondido, seu ser-real e a intimidade privada mantêm-se contidos para não manchar a busca pelo prestígio social.
Arthur Schopenhauer, filósofo alemão nascido em 1788, considera que há uma força universal [Vontade] que incide sobre a vida humana. O problema é que a vontade é regida pela insatisfação. Você consegue o carro que tanto queria, mas, logo após você já não se importa tanto com ele. O status que este carro poderia lhe dar já está ali. Agora você deseja trocar de carro para elevar a representação de status frente aos outros. As coisas que você já conquistou passam a ser insuficientes e podem lhe causar sofrimento. Ir para frente, crescer é sempre aumentar sua posição nas determinações de prestígio. A vida se transforma numa constante de vontades que mudam de escala, que insistem em evitar a paz espiritual.
É comum dizer que a pandemia mais inoportuna são as doenças psicológicas – depressão, transtornos, síndromes, traumas de todos os tipos. A concorrência pelo status, pela forma prestigiosa ...
Status significa “como você quer ser visto pelos outros”, e isso tende a expor a prepotência, o egoísmo, a vaidade de um membro de grupo social – caráter. As redes sociais formam terreno propício a este fim: sorrisos constantes para expressar alegria de instante, braços levantados para refazer os contornos corporais, exposição de consumo para definir a capacidade de satisfazer desejos. Ainda que a vida real e interior esteja em frangalhos e que a organização da casa esteja em estado precário, a exposição aos outros precisa ser controlada. Depois das fotos e vídeos, e de manter na penumbra o que deve ser escondido, seu ser-real e a intimidade privada mantêm-se contidos para não manchar a busca pelo prestígio social.
Arthur Schopenhauer, filósofo alemão nascido em 1788, considera que há uma força universal [Vontade] que incide sobre a vida humana. O problema é que a vontade é regida pela insatisfação. Você consegue o carro que tanto queria, mas, logo após você já não se importa tanto com ele. O status que este carro poderia lhe dar já está ali. Agora você deseja trocar de carro para elevar a representação de status frente aos outros. As coisas que você já conquistou passam a ser insuficientes e podem lhe causar sofrimento. Ir para frente, crescer é sempre aumentar sua posição nas determinações de prestígio. A vida se transforma numa constante de vontades que mudam de escala, que insistem em evitar a paz espiritual.
É comum dizer que a pandemia mais inoportuna são as doenças psicológicas – depressão, transtornos, síndromes, traumas de todos os tipos. A concorrência pelo status, pela forma prestigiosa com a qual as pessoas querem ser vistas pelos outros, eleva a potência de necessidade de cuidado psíquico, visto que a Vontade [Schopenhauer] atravessa os corpos e as redes de relacionamentos. O tédio pode ser um instrumento de punição aplicável às pessoas, tal qual era usado contra prisioneiros na Filadélfia [os prisioneiros ficavam por dias sem fazer nada, o que os levava aos limites da vida ao perder a relação entre espaço e tempo – limite da liberdade sobre a vontade]. Status não é bom conselheiro a sofrimentos psicológicos. O caminho indicado por Schopenhauer é desejar menos e deslocar a luta pelo prestígio para outras escalas. Não significa eliminar as vontades, mas reposicionar os desejos e seus significados sociais para o crescimento pessoal.
O personalismo e o individualismo se alimentam de status. A vaidade, o egoísmo e a prepotência consomem energia do campo de luta pelo status: é preciso estar adiante, acima, além do outro – dissimulação e mentiras pavimentam este terreno e dão energia a esta caminhada de luta. Na arena Política o personalismo é expressão de status, atualmente medida por seguidores e visualizações. A Política merece mais conteúdo, mais pensamento, mais reflexão. Não é a quantidade de emendas parlamentares que exprime o futuro, dado que tais emendas são expressão da mínima responsabilidade. Sendo a Política o local coletivo, de todos, quando diminuímos as diferenças entre nós [a lei é igual para todos], o seu voto tem a ver com a liberdade de se viver em paz, com a tentativa de igualdade ou diminuição das diferenças, e, como condicionante de igualdade, podemos invocar a fraternidade.
A filosofia de Schopenhauer é um caminho pessoal [de efeitos coletivos] para se mudar o endereço das lutas. O status é uma escada longa demais, ilimitada. A felicidade é um terreno relativamente plano, com buracos ali e aqui, colinas e descidas com muitas cores pelas quais se trafega dando-se as mãos. Uma espécie de status às avessas, para muitos ao mesmo tempo, com pouca importância às distinções sociais.
Mestre em Sociologia Política