Por Emílio Da Silva Neto - emiliodsneto@gmail.com
Publicado 29/04/2026 09:19
Alterado 29/04/2026 09:22
Eis a diferença fundamental entre o ídolo e o “influencer” moderno: o primeiro influencia porque fez,
o segundo, em muitos casos, apenas porque aparece !!!
Todos nós tivemos professores que se tornaram nossos ídolos, marcando-nos para sempre e, curiosamente, nem sempre foram aqueles que dominavam com excelência o conteúdo da disciplina ministrada.
Foram, sobretudo, aqueles que ensinaram pelo exemplo, pela forma de olhar o mundo e de tratar as pessoas. Professores que ouviram, acolheram, incentivaram e, muitas vezes, acreditaram em nós, quando nem nós mesmos nos acreditávamos.
Esses mestres nos deixaram lições que ultrapassaram grades curriculares, sendo lembrados não por conceitos acadêmicos e fórmulas, mas pelo impacto que tiveram em nossa formação como indivíduos e, até, na nossa escolha profissional futura.
Ou seja, com o tempo, percebemos que estes ídolos viraram “influencers”, moldando nossos caminhos, despertando vocações, permanecendo vivos na memória e, de alguma forma, continuando a nos guiar. Tudo a ver: afinal, “influenciar” vai muito além de passar conteúdos - é, acima de tudo, tocar vidas de forma duradoura.
Além destes nossos saudosos professores “referências”, nunca nos esqueçamos de ídolos esportivos, como Pelé, Ayrton Senna e Oscar Schmidt, por terem transcendido os seus esportes, tornando-se verdadeiros “influenciadores” de gerações, não apenas pelos títulos, recordes ou feitos históricos, mas principalmente pelas atitudes, valores e mensagens que deixaram ao longo de suas trajetórias.
Pelé ensinou humildade e excelência com alegria. Senna mostrou disciplina, fé e busca incansável pela superação. Oscar Schmidt simboliza paixão, dedicação e amor genuíno pelo que se faz. Em síntese, cada um, à sua maneira, demonstrou que o sucesso e o legado vão além do talento - exigem caráter, resiliência e propósito - inspirando decisões, comportamentos e sonhos, a ponto de, em um mundo repleto de “influenciadores” passageiros, estes “ídolos influencers” permanecerem como referências sólidas.
Por outro lado, não é preciso se embrenhar a fundo nas redes digitais, para se esbarrar nos onipresentes “influencers”, uma turma que tenta se sobressair, em meio ao feroz duelo por cliques, se revestindo de predicados e, não raro, falando com desenvoltura sobre quase tudo, sem ser especialista em quase nada.
Assim, ainda que a motivação possa ser boa, o perigo aí embutido é a disseminação de fake news, que acabam por sedimentar mitos e desinformar vastas audiências virtuais, um desserviço à humanidade, em diversos escaninhos.
Ao longo da história, a figura do ídolo sempre ocupou um lugar especial na sociedade, não surgindo por acaso, tampouco construídos da noite para o dia. Eles são, antes de tudo, o resultado de trajetórias consistentes, marcadas por esforço, disciplina, superação e, principalmente, por um legado resistente ao tempo.
Nesse sentido, todo ídolo é, naturalmente, um “influenciador”, pois suas escolhas e posturas acabam servindo como referência para outras pessoas, independentemente de sua vontade explícita de influenciar. Sim, o simples fato de existir como alguém admirado já o coloca nessa posição.
Mas, o conceito de influência passou por uma transformação profunda nos últimos anos, com o avanço das redes virtuais: se antes a influência era consequência de uma trajetória sólida, hoje, em muitos casos, ela se tornou o ponto de partida, ou seja, muitos “influencers” são marcados pela superficialidade, carecendo de consistência.
Enfim, na busca por engajamento, curtidas e seguidores, geralmente, os “influencers”, atualmente em alta, sobrepõem-se à construção de algo duradouro.
E é justamente aí que reside a diferença fundamental entre o ídolo e o “influencer” contemporâneo: o primeiro influencia porque fez, o segundo, em muitos casos, influencia apenas porque ... aparece !!!
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Publicado 28/04/2026 19:58