Por Mara Graf - maragraf@gmail.com
Mara Graf é pedagoga de formação, terapeuta de profissão e escritora de coração. Criadora do blog Papo Terapêutico, compartilha reflexões sobre bem-estar e autoconhecimento no cotidiano
Publicado 14/04/2026 09:30
Há algo no pôr do sol que nos cativa. Não sei se é a cor que dança no céu ou o silêncio que se instala quando o dia se despede. O que sei é que, toda vez que contemplo esse horizonte em chamas, algo dentro de mim se acalma — talvez por perceber que mais um dia foi vivido.
É como se o mundo pausasse por alguns instantes só para me lembrar que existe beleza mesmo nos finais. Que há poesia na transição, que há força na entrega. O sol não luta para ficar. Ele parte com dignidade, com coragem, ainda assim, com luz.
E eu, que tantas vezes me sinto fora do lugar, encontro abrigo nesse instante. O pôr do sol é generoso — não exige nada, não apressa, não cobra. Ele apenas se revela, inteiro, e convida a sentir. E nesse sentir, eu me reconecto comigo, com o tempo e com tudo aquilo que ainda pulsa, mesmo quando parece silencioso.
Há também um ensinamento sutil nesse adeus diário: o de que nem todo fim precisa ser resistência. Alguns finais são apenas passagens — suaves, necessárias, inevitáveis — e, ainda assim, carregados de beleza. Talvez o sol se despeça assim para nos ensinar que deixar ir também pode ser um ato de amor.
Talvez seja isso: minha conexão com o pôr do sol é a lembrança de que, mesmo nos dias mais difíceis e sombrios, há sempre um instante de luz à nossa espera. Basta um olhar adiante, um coração disponível, e a coragem de permanecer.
“Porque, quando o sol se despede, o recomeço já está a caminho.”
Comentários:
Fran Marcon
14/04/2026 13:01
Parabéns pela coluna Mara
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