Por Alfa Bile - alfabile@gmail.com
Fotógrafo, poeta e escritor. Autor do livro Lume, suas obras Fine Art já decoram hotéis como Hilton e Mercure. Publicado pela National Geographic e DJI Global @alfabile | @alfabilegaleria
Publicado 31/01/2026 11:09
Alterado 31/01/2026 11:12
Esse poema nasceu de um exercício.
E faço questão de dizer isso.
Tenho buscado, cada vez mais, refinar minha escrita poética, entender melhor as possibilidades da linguagem, tensionar formas que já estão muito presentes nas redes sociais e que, justamente por isso, correm o risco de se tornarem fáceis demais.
O formato da confissão íntima é um desses casos. Ele aparece o tempo todo: textos curtos, diretos, emocionais, muitas vezes eficazes, mas também muito próximos do lugar do óbvio, do simplório, do imediato. O desafio que me propus aqui foi não negar esse formato, mas retirá-lo do conforto.
Escrever algo íntimo sem entregar tudo.
Falar de ausência sem nomeá-la em excesso.
Deixar que os objetos, os gestos mínimos e o cotidiano carreguem o peso do sentimento.
Esse poema não nasceu de um acontecimento específico, mas de um estado. Um desses estados em que a gente insiste em dizer que está bem, enquanto tudo ao redor denuncia o contrário. A cama, o café, o porta-retrato, o cheiro que insiste, a mensagem que não vai.
Abaixo, o poema como foi escrito:
⸻
Confissões Íntimas — 38
🖋️ Alfa Bile
📅 30 de dezembro de 2025
Sigo dizendo que estou bem.
Fujo de mim.
Não explico.
Não é tua ausência.
É que nossa cama
ficou gigante.
Caminho firme.
Tropeço.
Entre um respiro e outro,
teu cheiro.
Na janela,
teu reflexo.
Celular nas mãos.
Letra por letra.
Desisto.
Nosso porta-retrato.
Até no café,
duas xícaras.
⸻
O que me interessava aqui não era o drama explícito, mas o deslocamento. A tentativa de fazer o leitor perceber a ausência antes mesmo de entendê-la. O poema não pede empatia fácil. Ele pede atenção.
Talvez seja isso que tenho buscado nesses exercícios: escrever menos para comover rapidamente e mais para construir um espaço literário, onde a emoção não grita, mas permanece.
📸 ✍️ Alfa Bile
VersoLuz | Jornal Diarinho
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