O plano amplia o atendimento domiciliar para tutores de baixa renda, reforça a coleta de exames e intensifica o monitoramento epidemiológico. Além do tratamento gratuito, os tutores recebem equipamentos de proteção individual, como luvas, para garantir segurança no manejo diário dos animais.
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Nos casos de animais sem tutor e com diagnóstico confirmado, o Inis faz o recolhimento e encaminha para isolamento e tratamento na Unidade de Acolhimento Provisório de Animais (Uapa), que passa por ampliação para aumentar a capacidade de atendimento.
A Vigilância Epidemiológica também reforçou a rede de diagnóstico, com entrega de kits de coleta e caixas térmicas a clínicas veterinárias. As amostras são encaminhadas ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), em Florianópolis, e os casos positivos são acompanhados até o desfecho, com visitas técnicas e orientações às famílias.
Paralelamente, o município intensificou ações educativas em unidades de saúde, clínicas veterinárias, escolas e comunidade, além da organização de fichas, planilhas e mapas para monitoramento dos registros da doença.
Explosão de casos
A iniciativa surge diante do crescimento acelerado da esporotricose em Itajaí. Os dados mostram uma escalada ano após ano.
Em 2022, foram 19 gatos confirmados com a doença. Em 2024, o número saltou para 119 casos — aumento superior a 500% em dois anos.
O avanço continuou em 2025. Até maio, o município já somava 86 gatos positivos. Ao final do ano, o total chegou a 328 confirmações — quase três vezes mais que todo o ano anterior.
A taxa de exames positivos também chama a atenção. Em 2025, foram 434 notificações em animais, com 328 confirmações, o que representa taxa de positividade de 75%.
No acumulado entre 2022 e maio de 2025, Itajaí registrou 515 suspeitas em gatos, com 322 confirmações — índice de 62%.
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Casos também atingem humanos
A esporotricose não atinge apenas os animais. Em 2025, Itajaí registrou 119 notificações em humanos e figurava entre os municípios com maior número de casos em Santa Catarina. Desses, 26 foram confirmados e 53 classificados como prováveis. Outros 38 foram descartados e dois eram de pacientes de outras cidades.
Entre 2022 e maio de 2025, o município contabilizou 177 suspeitas em pessoas, com 73 confirmações ao longo desse período.
O que é a esporotricose
A esporotricose é uma doença fúngica de origem ambiental. O fungo vive no solo e em matéria orgânica. No passado, era conhecida como “doença do jardineiro”, porque muitos casos estavam ligados ao contato com terra contaminada.
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Os gatos são os mais suscetíveis à infecção. Além de poderem transmitir a doença, também acabam sendo as maiores vítimas. Sem tratamento, o fungo pode se espalhar pelo corpo, causar feridas graves e levar a complicações que podem resultar na morte do animal.
O principal sinal de alerta são feridas que não cicatrizam. As lesões podem aumentar de tamanho, apresentar secreção e se espalhar pelo corpo, explica a médica-veterinária da Vigilância Epidemiológica, Andréia Díaz de Porto.
Tire suas dúvidas
A transmissão acontece pelo contato com o fungo no ambiente ou por arranhões e mordidas de animais infectados. Em humanos, também pode acontecer pelo contato direto com lesões contaminadas.
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Apesar do avanço dos casos, especialistas reforçam que não há motivo para pânico. A doença tem tratamento e cura quando diagnosticada precocemente e acompanhada por médico-veterinário.
A orientação é que, ao identificar qualquer lesão suspeita, o tutor procure atendimento veterinário. Em caso de dúvida, o município disponibiliza atendimento pelo WhatsApp (47) 99118-8389.