TRANSIÇÃO
Porto de Itajaí vira a página e troca Santos pela Bahia
Gestão transitória mira parceria, acompanha retomada e prepara arrendamento definitivo em 2026
Camila Diel [editores@diarinho.com.br]
Em plena operação e com novos investimentos no radar, o Porto de Itajaí entrou oficialmente em uma fase de transição até o arrendamento definitivo previsto para 2026. A mudança foi formalizada nesta quarta-feira, durante seminário que marcou a assinatura do convênio de gestão transitória com a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) e a entrega de novos equipamentos à Guarda Portuária. O evento reuniu autoridades federais, estaduais e locais.
O seminário trouxe detalhes à retomada do terminal. Mais do que formalizar a entrada da Codeba, o encontro serviu para justificar por que a Autoridade Portuária de Santos saiu de cena, o que muda com a nova parceria e quais são os próximos passos concretos para 2026.
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Por que a gestão com Santos chegou ao fim?
Um dos pontos enfatizados foi o caráter temporário da gestão anterior. Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, João Paulo Tavares Bastos Gama, o contrato com a Autoridade Portuária de Santos tinha prazo definido e foi pensado para um momento de emergência, quando o porto estava inoperante, sem recursos e sem estrutura administrativa própria. Com a retomada das atividades, esse modelo deixou de fazer sentido.
“A gente não conseguiu ainda criar a empresa pública federal porque isso depende de autorização do Congresso Nacional. Enquanto isso, precisamos de parcerias. No momento mais crítico, Santos foi fundamental. Agora, o porto já anda com as próprias pernas”, explicou. Para João Paulo, a escolha da Codeba representa uma transição mais adequada à nova fase. “A parceria com a Codeba é mais leve e respeita a autonomia do Porto de Itajaí”, afirmou.
Por que a Codeba foi escolhida?
Outro ponto trazido no seminário foi o peso do desempenho da própria Codeba na decisão do governo federal. O diretor-presidente da companhia, Antonio Gobbo, destacou que 2024 foi o melhor ano da história da estatal baiana, com crescimento expressivo nos portos de Salvador, Aratu e Ilhéus — este último operado a mais de 500 quilômetros de distância da sede.
Segundo ele, essa experiência em gestão descentralizada e os bons indicadores ajudaram a credenciar a Codeba para assumir Itajaí. “O Porto de Itajaí teve o maior crescimento entre os portos brasileiros no último ano, e a Codeba também vive um momento muito positivo. A gestão local é competente, e essa parceria é um ganha-ganha”, disse Gobbo, reforçando que a ideia não é interferir na operação, mas garantir estabilidade até o arrendamento definitivo.
Equipamentos e reforço na segurança
O evento marcou também a entrega de equipamentos à Guarda Portuária, algo que, segundo João Paulo, não acontecia há anos. Lancha de monitoramento, viaturas, armas, coletes e uniformes começaram a ser incorporados à rotina do terminal. “A Guarda Portuária foi esquecida por muito tempo. Isso começa a mudar agora”, afirmou.
Impacto econômico e próximos passos
O presidente nacional do Sebrae, Décio Lima, voltou a criticar o período em que o porto ficou paralisado e defendeu que a interrupção das operações seja apurada. “Um porto desse porte não pode ser fechado de uma hora pra outra sem justificativa”, disse, ao se referir aos anos de 2022 e 2023. Para ele, a federalização traz tranquilidade não só para Itajaí, mas para a economia nacional.
Já o secretário nacional de Portos, Alex Ávila, reforçou que o governo federal trabalha com dois focos paralelos: manter o porto operando normalmente e avançar nos projetos estruturantes. Entre eles estão a concessão do canal de navegação, que deve garantir profundidade adequada por pelo menos 25 anos, e o leilão do terminal de contêineres.
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Com números positivos de movimentação e faturamento apresentados no seminário, a mensagem central do encontro foi clara: a fase agora é de consolidação, não mais de socorro. A gestão transitória com a Codeba aparece como uma ponte entre o período de crise e um novo ciclo definitivo para o Porto de Itajaí.
As autoridades reforçaram que os grandes investimentos seguem no radar para os próximos meses. Entre os principais projetos estão a concessão do canal de navegação e o arrendamento definitivo do terminal de contêineres, que devem atrair capital privado, modernizar a estrutura do porto e consolidar Itajaí novamente como um dos principais hubs logísticos do país.
Camila Diel
Camila Diel; jornalista no DIARINHO; formada pela Univali, com foco em jornalismo digital e produção de reportagens multimídia.
