A última semana imprime o registro do que sofre a engenharia política brasileira. A “derrota” do governo em relação à indicação de ministro ao STF e dos vetos presidenciais sobre a dosimetria dos julgados por crimes contra o Estado são marcas de nossas próprias fraquezas institucionais. Os poderes de Estado há muito vivem se equilibrando em corda-bamba, balançando ao atrito com os ventos e com os próprios danos na circulação entre os cômodos governamentais.
Não é de hoje que nossas estruturas e dinâmicas de Estado gritam suas deficiências inclementes. É uma casa que apresentara projeto estrutural aclamado em esperanças, mas comprometida na execução. Com uma Constituição parlamentarista e regime presidencialista, os pilares de sustentação da edificação se tornam inseguros para quaisquer paredes, vidraças, portas. Não é possível se locomover nessa edificação com segurança. Estrutura e segurança não combinam. Os tijolos não se encaixam nas paredes, as janelas ficam tortas, as portas se arrastam para funcionar. Democracia [em nome do ‘povo’] e princípios republicanos [ética sobre o que é público] têm pesadelos de implosão e escombros.
A conversa que se trava nos ambientes tão sufocantes e quebradiços é que, no primeiro round, o presidente do Senado tenha ficado contrariado e choroso porque sua indicação ao STF não tenha sido coroada pelo presidente da República. Vingativo, provocou os atrasos mais inquietantes que se pode observar e soltou a guilhotina na votação do indicado pelo poder executivo. Feito isso, a resistência das paredes denuncia as falhas estruturais do Estado. Cada cômodo da estrutura é local de jogatinas, trapaças, blefes, baforadas amargas.
O segundo round se dá pela manutenção das decisões do parlamento frente aos vetos do executivo sobre as redefinições de tempo de penalidades aos incriminados pelo STF. Em períodos eleitorais ...
Não é de hoje que nossas estruturas e dinâmicas de Estado gritam suas deficiências inclementes. É uma casa que apresentara projeto estrutural aclamado em esperanças, mas comprometida na execução. Com uma Constituição parlamentarista e regime presidencialista, os pilares de sustentação da edificação se tornam inseguros para quaisquer paredes, vidraças, portas. Não é possível se locomover nessa edificação com segurança. Estrutura e segurança não combinam. Os tijolos não se encaixam nas paredes, as janelas ficam tortas, as portas se arrastam para funcionar. Democracia [em nome do ‘povo’] e princípios republicanos [ética sobre o que é público] têm pesadelos de implosão e escombros.
A conversa que se trava nos ambientes tão sufocantes e quebradiços é que, no primeiro round, o presidente do Senado tenha ficado contrariado e choroso porque sua indicação ao STF não tenha sido coroada pelo presidente da República. Vingativo, provocou os atrasos mais inquietantes que se pode observar e soltou a guilhotina na votação do indicado pelo poder executivo. Feito isso, a resistência das paredes denuncia as falhas estruturais do Estado. Cada cômodo da estrutura é local de jogatinas, trapaças, blefes, baforadas amargas.
O segundo round se dá pela manutenção das decisões do parlamento frente aos vetos do executivo sobre as redefinições de tempo de penalidades aos incriminados pelo STF. Em períodos eleitorais, os efeitos são muito mais profundos. As rachaduras nas paredes são a demonstração não das fraquezas dos habitantes do palácio, mas das próprias estruturas de sustentação do castelo.
No quintal há os que querem tentar remendos para manter o trono e o rei no mesmo lugar. Chamam-se solidariamente de “situação”. Expressão eficiente para ditar a condição de instante periódico de mandato. Para a “situação”, é a situação atual, de se refestelar nos cerimoniosos banquetes de proteínas e carboidratos de poder e usufruir de todas as possibilidades ofertadas em banquetes orçamentários. Para a “oposição”, é o momento de provocar os maiores danos possíveis para que o castelo demonstre toda sua fragilidade, desconforto, desesperança, inabitabilidade.
Não há projetos de reestruturação dos fundamentos de Estado, talvez porque os “engenheiros” podem sempre obter mais dinheiro dos “seres-impostos” para colocar mais varetas de sustentação nas paredes, criar escapatórias para desaparecimentos necessários e parlatórios para palavras de efeito.
Não há vitoriosos e derrotados em termos de Estado! Há poderosos-públicos que usufruem das “engenharias políticas” que concentram poder de decisão e dinheiro público. Há de haver a necessidade de um novo projeto de Estado.
Mestre em Sociologia Política