Por Magru Floriano - magrufloriano2008@gmail.com
Magru Floriano é graduado em História e Pedagogia, pos-graduado em Educação e Marketing, mestre em Educação. Professor universitário aposentado. Colunista e repórter desde a década de 1970
Publicado 03/05/2026 20:43
Desde sempre a comunicação social é um setor onde a ética perdeu de goleada para os interesses pessoais e financeiros. Mesmo em países altamente desenvolvidos, como são os casos dos EUA e Inglaterra, o jornalismo tido como sensacionalista dita o tom da conversa. Vender jornais na banca, ter audiência, vale como moeda preciosa para a imprensa em geral (TV, rádio, jornal, revista). Em busca do leitor/ouvinte/telespectador o sensacionalismo deixa de lado a ética, corrompe a informação, subtrai os valores ... tudo em busca da polêmica – aquilo que causa furor entre a massa e, por isso mesmo, ganha status de algo relevante. A vida amorosa da Princesa Diana é mais importante que uma guerra e a morte de milhares de civis em um país qualquer da África ou Ásia. O resto é o resto.
No mundo atual, onde temos a predominância total da Internet e sua inquestionável ‘rede social’, não é muito diferente. Conseguir o maior número de seguidores é o objetivo e ele deve ser obtido custe o que custar, mesmo que o preço seja a morte da informação sustentada por um mínimo de veracidade. Estamos no mundo da ‘fake news’, mas isso é apenas o começo de um processo que tende ir muito além de distorcer informações e manipular dados para obter vantagens políticas e econômicas.
O mundo que está para além das ‘fake news’ já mostra seus tentáculos. Trata-se da informação produzida por IA – Inteligência Artificial. Como os aplicativos que usam IA para elaborar textos de conhecimento estão usando bases de dados que não possuem qualquer compromisso com a verdade/realidade, porque utilizam informações anteriormente corrompidas, manipuladas e desfiguradas, todo o processo entra em ‘loop’, com os dados corrompidos produzindo novos dados corrompidos. No final do processo já não teremos mais condições de separar o falso do verdadeiro e voltaremos à Caverna de Platão.
Tudo fica mais complicado quando temos um combo de incompetência técnica e falta de comprometimento ético. Encontramos com muita facilidade nas redes sociais pessoas que querem obter sucesso a qualquer custo e publicam de propósito as fotos colorizadas distorcidas para causar polêmica e atrair seguidores em maior número. A história de Itajaí fica comprometida em troca do sucesso pessoal do internauta. Aparecer, ter milhares de seguidores, receber o status de ‘influencer’ ... é o que interessa. Que vão às favas a realidade, a responsabilidade social, a ética, a integridade dos bancos de dados históricos.
Ao homem ético restará voltar a um mundo bucólico, longe das cidades e das máquinas? Um mundo onde falará mais com as plantas e animais, utilizando muito menos tempo para se relacionar com os seres humanos? Retornaremos a Leon Tolstói e sua Iasmaia Poliana?; a Henry David Thoreau e seu Walden?
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