Vivemos cercados de gente e, ainda assim, profundamente sós. Conversamos o dia inteiro, respondemos mensagens, reagimos com emojis, mas quase ninguém pergunta e quase ninguém escuta como o outro está de verdade. Não “tudo bem?”, mas como você está sem pressa de ir embora da resposta.
Há um silêncio emocional se espalhando pelas relações. Não é ausência de palavras, é ausência de presença. As pessoas falam muito sobre si, mas escutam pouco o que não é conveniente. A escuta virou interrupção, disputa, conselho apressado.
Na clínica, esse vazio aparece com frequência. Pessoas que não se sentem vistas, mesmo em relações longas. Estão acompanhadas, mas não acolhidas. Amadas, mas não compreendidas. E esse tipo de solidão dói de um jeito específico: ela acontece na presença do outro.
Psicologicamente, a falta de escuta genuína enfraquece vínculos. Quando alguém não se sente escutado, passa a se explicar demais, se calar aos poucos ou explodir em momentos inadequados ...
Há um silêncio emocional se espalhando pelas relações. Não é ausência de palavras, é ausência de presença. As pessoas falam muito sobre si, mas escutam pouco o que não é conveniente. A escuta virou interrupção, disputa, conselho apressado.
Na clínica, esse vazio aparece com frequência. Pessoas que não se sentem vistas, mesmo em relações longas. Estão acompanhadas, mas não acolhidas. Amadas, mas não compreendidas. E esse tipo de solidão dói de um jeito específico: ela acontece na presença do outro.
Psicologicamente, a falta de escuta genuína enfraquece vínculos. Quando alguém não se sente escutado, passa a se explicar demais, se calar aos poucos ou explodir em momentos inadequados. Emoções que não encontram espaço não desaparecem, elas se acumulam.
Escutar não é concordar, nem resolver, nem corrigir. Escutar é sustentar o desconforto de não ter resposta pronta. É permitir que o outro exista sem ser imediatamente moldado às nossas expectativas.
O problema é que fomos educados para responder, não para escutar. Para aconselhar, não para acolher. Para “dar um jeito”, não para permanecer. A pressa invadiu também os afetos.
Quando não somos escutados, aprendemos a engolir sentimentos. A minimizar dores. A sorrir quando o peito aperta. Com o tempo, isso gera adoecimento emocional: ansiedade, irritação constante, sensação de invisibilidade, dificuldade de confiar.
Na abordagem cognitivo-comportamental, trabalhamos a expressão emocional e a comunicação assertiva, mas também a capacidade de escuta. Relações saudáveis exigem mão dupla: quem fala precisa de coragem, quem escuta precisa de disponibilidade emocional.
O mais delicado é que muitas pessoas não sabem pedir escuta. Foram ensinadas a serem fortes, independentes, resolutivas. Aprenderam que falar de sentimentos é fraqueza ou exagero. Assim, silenciam esperando que alguém perceba e se frustram quando ninguém percebe.
Escutar também exige maturidade emocional. Exige abrir mão do protagonismo, tolerar o silêncio e reconhecer que nem tudo precisa de solução imediata. Às vezes, o maior cuidado é não interromper a dor do outro com a própria ansiedade de ajudar.
Talvez não falte amor. Talvez falte presença. Talvez não faltem palavras, mas tempo interno para ouvir o que não cabe em respostas rápidas. Em um mundo que grita, escutar virou um gesto revolucionário. E ser verdadeiramente escutado continua sendo uma das experiências mais terapêuticas que existem.