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Coletar as penas de almas penadas


A ideologia é uma ilusão, uma idealização interesseira. É um sistema de crenças e valores políticos que se referem à ordem pública e serve, como prato apetitoso, valores e orientação ao comportamento coletivo. A organização dos interesses pela ideologia, o estatuto de composição que aparenta ter todos os pontos cobertos e sincronizados, é alimentada por elos de correntes para serem utilizados à medida que o pensamento flui. A ideologia permite a simulação do futuro e a dissimulação da realidade. Daí em diante se constituem os mais variados cenários de ilusão, do que se chamara por longo tempo de “falsa consciência”, doutrinarismo, dogmatismo e fartos temperos passionais. Este último leva ao comportamento de enfrentamento, confrontos que provocam conflitos, revoltas que se traduzem em vinganças.

As manifestações ideológicas, por inexistência de argumentos que as sustentem ou para disfarçar suas deficiências de formação, ou ainda para esconder a dissimulação que carrega ao tentar se mostrar o inverso do que é [falsidades e dissimulações contínuas como aquele que vive a expor ao público o contrário do que é dentro de casa], desaguam em acusações sem crime, ofensas como disfarce, gritos e urros que oprimem o mínimo do bom senso. Aqueles que estão “incapacitados” ao diálogo e que por isso se alimentam de conspirações mentais, psíquicas, têm que se esconder atrás de um fio de cabelo aos berros e apontando os defeitos dos outros para cegar os seus próprios. Por agudo, este disfarce se torna seu principal defeito, ilusão defensiva, manifestação do distúrbio psíquico que se constitui sua identidade. De um lado tenta mostrar a imagem de ser o bem e orientada ao bem; de outro apresenta a identidade turbulenta, agressiva e violenta de ser.

O Brasil passou por “tempos quebradiços” nos anos de 1980 cuja forma de existência das pessoas se fazia “contra” as condições do presente. Corria-se ao mercado para se antecipar às máquinas de remarcação de preços. Não havia tempo para “fazer o futuro”, porque “o tempo” corria rápido demais. Era como ser o coletor das penas das almas penadas!

Nos anos 1990 e início dos anos 2000, conseguimos estabilidade política e econômica. Até 2010, a política de inclusão social foi bem-sucedida. Em seguida tivemos as revelações da Lava- ...

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As manifestações ideológicas, por inexistência de argumentos que as sustentem ou para disfarçar suas deficiências de formação, ou ainda para esconder a dissimulação que carrega ao tentar se mostrar o inverso do que é [falsidades e dissimulações contínuas como aquele que vive a expor ao público o contrário do que é dentro de casa], desaguam em acusações sem crime, ofensas como disfarce, gritos e urros que oprimem o mínimo do bom senso. Aqueles que estão “incapacitados” ao diálogo e que por isso se alimentam de conspirações mentais, psíquicas, têm que se esconder atrás de um fio de cabelo aos berros e apontando os defeitos dos outros para cegar os seus próprios. Por agudo, este disfarce se torna seu principal defeito, ilusão defensiva, manifestação do distúrbio psíquico que se constitui sua identidade. De um lado tenta mostrar a imagem de ser o bem e orientada ao bem; de outro apresenta a identidade turbulenta, agressiva e violenta de ser.

O Brasil passou por “tempos quebradiços” nos anos de 1980 cuja forma de existência das pessoas se fazia “contra” as condições do presente. Corria-se ao mercado para se antecipar às máquinas de remarcação de preços. Não havia tempo para “fazer o futuro”, porque “o tempo” corria rápido demais. Era como ser o coletor das penas das almas penadas!

Nos anos 1990 e início dos anos 2000, conseguimos estabilidade política e econômica. Até 2010, a política de inclusão social foi bem-sucedida. Em seguida tivemos as revelações da Lava-Jato, dos invariantes da corrupção, as conspirações criminosas contra o que é público e contra o público. Novos heróis apareceram.

As energias foram encadeadas no “Bolsonarismo” [personalismo político que se cumpre como herói e heroísmo político]. Esta “ideologia” nasce e cresce por vingança e alimenta o confronto “benigno” na fronteira “santa" de combater o mal, as maldades e maldosos. Traveste-se de juízos de valor sob a forma de “verdade dos fatos”. Como vingança perturbada, não é capaz de compor argumentos e diálogos; vive de intimidação, conflitos e ausência de bom senso. Depois se converte em si mesma, e desconhece o que seja empatia [só pode ser para si mesma: grita para se impor, provoca para ser vítima, e agride para se fortalecer].

O “Lulismo” proveniente desse confronto perde todas as suas origens, sua natureza existencial, e se converte em “antibolsonarismo”. Repete as fissuras do oponente: falseia as fronteiras. Ambos vivem e só podem sobreviver, pelo confronto e violências um contra o outro. Alimentam-se um do sangue do outro, como vampiros que mordem as veias do oponente simultaneamente para obter energia. Entrelaçados, confundem-se!

Bolsonarismo e Lulismo são, desde 2010, idealização interesseira que decapitam a política, saqueiam a Justiça, e violentam a esperança [condenada a ser juvenil]. A disputa “Lulismo x Bolsonarismo” se esgota pelos vícios circulares no qual vivem. A população, pessimista, tem demonstrado suas insatisfações [vejam-se os índices de rejeição aos pré-candidatos à presidência]. “Seu moço, sou muito moço para tanto disfarce, agressividade, violência, imagem falsa de bom moço e identidade troglodita de corrupção”, disse o espírito da felicidade em conversa com a esperança!

 

Mestre em Sociologia Política


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