Colunas


A comissão à sombra do cativeiro


A omissão é um dos ingredientes cotidianos da culinária política. Em alguns casos a omissão pode ser deferida pela impossibilidade de se fazer o que deve ser feito por constrangimentos institucionais. Este é o caso da omissão de subordinados que, embora saibam sobre as implicações de suas ações, se sentem impedidos de fazê-las por consequências pessoais que teriam que assumir. O bem moral e institucional coletivo fica comprimido pelos custos imediatos como carga pesada a ser carregada. Ainda que existam possibilidades de anonimato em se anunciar fatos injustos, incorretos, ilegais, teme-se que o olho do malfeitor conecte a busca do denunciante.

Em todos os casos, o mais comum é a omissão intencional: a inércia proposital. Casos de evidente urgência ou necessidade são marcados pela incapacidade de se reconhecer o lugar que se ocupa, as responsabilidades do cargo que se exerce e as institucionalidades que derramam as regras sobre os indivíduos. Omissões de representantes públicos, o ambiente mais coletivo das responsabilidades públicas, são ensaios de resultados perversos.

A falta de ação é o mais estrondoso dos trovões governamentais quando se observa a pandemia do coronavírus. Desse abismo se tropeça no planejamento de políticas públicas, na execução do atendimento dos direitos e nas respostas anunciadas como esquivas de boxeadores. Se a vacina vem da China ou de Tuvalu, e assume todos os quesitos científicos, a origem não tem a menor relevância; se o partido de um governador ou prefeito é distante do governo federal ou dos presidentes do Senado ou Câmara dos Deputados, a catapulta eleitoral é pequenez dos delírios do poder. A omissão política é lágrima que descreve o rosto em funeral.

O perturbador repositório de respostas daqueles que deveriam assumir as responsabilidades e, por muitas vezes, reconhecer os erros e pedirem desculpas imediatas percorre em cartório a ...

Já tem cadastro? Clique aqui

Quer ler notícias de graça no DIARINHO?
Faça seu cadastro e tenha
10 acessos mensais

Ou assine o DIARINHO agora
e tenha acesso ilimitado!

Em todos os casos, o mais comum é a omissão intencional: a inércia proposital. Casos de evidente urgência ou necessidade são marcados pela incapacidade de se reconhecer o lugar que se ocupa, as responsabilidades do cargo que se exerce e as institucionalidades que derramam as regras sobre os indivíduos. Omissões de representantes públicos, o ambiente mais coletivo das responsabilidades públicas, são ensaios de resultados perversos.

A falta de ação é o mais estrondoso dos trovões governamentais quando se observa a pandemia do coronavírus. Desse abismo se tropeça no planejamento de políticas públicas, na execução do atendimento dos direitos e nas respostas anunciadas como esquivas de boxeadores. Se a vacina vem da China ou de Tuvalu, e assume todos os quesitos científicos, a origem não tem a menor relevância; se o partido de um governador ou prefeito é distante do governo federal ou dos presidentes do Senado ou Câmara dos Deputados, a catapulta eleitoral é pequenez dos delírios do poder. A omissão política é lágrima que descreve o rosto em funeral.

O perturbador repositório de respostas daqueles que deveriam assumir as responsabilidades e, por muitas vezes, reconhecer os erros e pedirem desculpas imediatas percorre em cartório a mesquinhez do comportamento humano. Os passos mambembes do idioma político, do dizer e desdizer, do manipular de sua própria língua [e na era da internet a prova é a cara falante de outrora], enfraquece a legitimidade da política como caminho firme ao bom debate e à governança. Para os heróis de si mesmos, e para os seguidores do heroísmo volante, assumir erros e pedir desculpas está mais para fraqueza do que para elevação moral.

Para aqueles que têm a responsabilidade de ativar, agir, mover, empreender as políticas públicas, o apego ao poder, o desejo de ser obedecido e o efeito canônico das decisões parecem embrutecer o bom senso, mofar o caráter estadista e sabotar as regras institucionais. O Eu de todas as horas e a envergadura do egoísmo somente poderão persistir pela escravidão social e política no caminho da ditadura ameaçadora.

Talvez seja mais crível, ou mesmo incrível, que retomemos a procura da lâmpada e do gênio: um servo capaz de realizar nossos desejos pessoais, forte e impassível; o desejo é pessoal e o custo da realização será sempre dos outros. O gênio da lâmpada é apenas a manifestação da vontade de si mesmo, do desejo incrustado em suas vísceras, da imponência do umbigo.

A omissão política esquece de seus direitos, esquece de você como cidadão, esquece que é por você que existe. Você é bicho de cativeiro, em engorda para o abate.


Conteúdo Patrocinado


Comentários:

Deixe um comentário:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Para fazer seu cadastro, clique aqui.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.

ENQUETE

O comércio deve abrir no Dia do Trabalhador?



Hoje nas bancas

Confira a capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯


Especiais

Regra é ignorada por médicos, e farmacêuticas investem em presentes

Conflito de interesse

Regra é ignorada por médicos, e farmacêuticas investem em presentes

Assassinatos dobram no Brasil em um ano, aponta Pastoral da Terra

Conflitos no campo

Assassinatos dobram no Brasil em um ano, aponta Pastoral da Terra

Luxo, bebidas, lista vip e after em Floripa: bets ostentam poder durante evento em SP

BETS

Luxo, bebidas, lista vip e after em Floripa: bets ostentam poder durante evento em SP

Entenda por que comer no Brasil ficou tão caro

Inflação de alimentos

Entenda por que comer no Brasil ficou tão caro

Santa Catarina quer ir além do rótulo e se firmar como potência da arquitetura brasileira

Brasil

Santa Catarina quer ir além do rótulo e se firmar como potência da arquitetura brasileira



Colunistas

Sumiu

JotaCê

Sumiu

Coluna Esplanada

“Venezuraima”

Começou a febre do álbum da Copa

Charge do Dia

Começou a febre do álbum da Copa

Dois sóis

Clique diário

Dois sóis

Parceria praticamente selada

Coluna Acontece SC

Parceria praticamente selada




Blogs

Agora é o Momento

Papo Terapêutico

Agora é o Momento

Igreja Matriz e rua Tijucas no radar

Blog do JC

Igreja Matriz e rua Tijucas no radar

Desertos

VersoLuz

Desertos

Detox natural no organismo!

Blog da Ale Françoise

Detox natural no organismo!

Novas tecnologias e ética

Blog do Magru

Novas tecnologias e ética






Jornal Diarinho ©2026 - Todos os direitos reservados.