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Dr. Laércio Cunha e Silva


Na antevéspera de completar 99 anos, faleceu no último dia 19 de fevereiro, no Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, Dr. Laércio Cunha e Silva, advogado, jornalista e emérito homem de cultura itajaiense.

Ele descendia de duas antigas famílias itajaienses. Os Silva provinham do mestre de barcos, José Ignácio da Silva, paulista de Cananeia, que aqui se radicou no século XIX e constituiu numerosa família de que fazem parte, dentre outros, os Fontes, os Seára, João da Cruz e Silva, mestre Janja, fundador da imprensa de Itajaí e José Ignácio da Silva Júnior, mestre Zé, notável carpinteiro de ribeira com descendência ainda hoje ligada à construção naval. Os Cunha são de São José da Terra Firme e já estão por aqui também desde o século XIX. São integrantes da família, dentre outros, o maestro Edmundo de Souza Cunha e o Marechal Olímpio Falconieri da Cunha.

Dr. Laércio Cunha e Silva, desde moço se envolveu intensamente com cultura. Funcionário do antigo Banco Inco, assistiu juntamente com outros jovens, na maioria como ele empregados no mesmo banco, à conferência do jornalista Ângelo Cibela, durante a qual foram concitados a agir em favor da cultura. Então, em 5 de dezembro de 1942, aquele grupo motivado de moços e moças fundou o Centro Cultural de Itajaí, elegeu seu presidente o jovem Laércio de 22 anos e presidente de honra, o coronel Marcos Konder, ícone cultural da cidade. O Centro Cultural de Itajaí inauguraria em fevereiro de 1943 a Biblioteca Vasconcelos Drummond, com acervo inicial de mil volumes, promoveu palestras, patrocinou recitais de música e canto, editou livros, em profícua atividade cultural por décadas.

O jornalismo, Dr. Laércio passou a exercer no Rio de Janeiro, para onde se mudara nos anos de 1950, quando completou seus estudos, formando-se advogado. Foi fundador e diretor-responsável da revista ilustrada O Cooperador, “revista de catarinenses para Santa Catarina”, como se intitulava, que tinha como diretor-redator-chefe o jornalista e itajaiense Roberto Mello de Faria, e também foi diretor do semanário Hoje, publicado em Niterói/RJ, de cuja Gráfica e Editora era presidente. No ano de 1959, ele teve a iniciativa de mais uma vez editar o “Anuário de Itajaí”, “numa homenagem toda especial a Itajaí, cujos primeiros cem anos de emancipação político-administrativa” se estava comemorando. A edição seria repetida no ano seguinte de 1960 com a publicação de “Itajaí – Cem Anos de Município”. Em ambas as publicações, hoje preciosas relíquias bibliográficas, houve também a editoria-assistente de Roberto Mello de Faria e colaboração de intelectuais de renome como Lucas Alexandre Boiteux, José Ferreira da Silva, Arnaldo Brandão, Nóbrega Fontes, Antônio Carlos Konder Reis, Lausimar Laus, Nereu Correia, Marcos Konder Reis, Djanira Laus, Pe. Raulino Reitz, Juventino Linhares, Abdon Fóes, Osni Duarte Pereira, Araújo Galvão, Simões Bidigaray, Silveira Júnior, Victor Márcio Konder, Eduardo Mário Tavares, dentre outros.

Dr. Laércio teve ainda destacada participação no Centro Catarinense do Rio de Janeiro, do qual foi presidente, quando criou o Festival da Cerveja, transformado num evento do calendário turístico da Guanabara, nos anos de 1960 e participou também na mesma cidade da Sociedade dos Amigos de Itajaí.

Com intensa atividade cultural e jornalística, Dr. Laércio Cunha e Silva, era homem de ideias e posições progressistas, tendo começado a militância político-partidária no PTB.

Cultura e história de Itajaí muito ficam devendo à dedicação, trabalho e realizações do intelectual e itajaiense sempre devotado à terra natal, que foi o Dr. Laércio Cunha e Silva.


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