Por Alfa Bile - alfabile@gmail.com
Fotógrafo, poeta e escritor. Autor do livro Lume, suas obras Fine Art já decoram hotéis como Hilton e Mercure. Publicado pela National Geographic e DJI Global @alfabile | @alfabilegaleria
Publicado 20/01/2026 09:39
Esse poema nasceu de uma fotografia que eu mesmo fiz.
Um instante simples, captado nas margens do Rio Itajaí-Açu, atrás do estacionamento da Praia do Atalaia, no Molhe.
Meu amigo Almir estava tarrafeando em cima das pedras. Firme nelas, atento ao gesto. Às vezes, a água subia e alcançava seus pés — não para tirá-lo do lugar, mas para lembrar que o rio nunca está totalmente sob controle.
Foi esse detalhe que me prendeu o olhar.
A cena tinha equilíbrio e risco na medida certa. Pedra e água. Controle e imprevisibilidade. Tarrafeiar é isso: lançar sem garantia, confiar mais no gesto do que no resultado. Existe técnica, claro, mas existe também algo que escapa à técnica.
A fotografia veio antes do poema.
E o poema tentou acompanhar o ritmo da imagem — curto, direto, essencial.
O poema é este:
⸻
Pés na água.
Frio.
Vai a tarrafa.
Sorte
ao rio
⸻
Esse “sorte ao rio” não é um desejo abstrato. Ele funciona como um lançamento simbólico. Ao lançar a tarrafa, lança-se também a sorte. Como quem oferece algo antes de pedir. Como quem entende que o peixe não vem só da habilidade, mas de um acordo silencioso com o rio.
O rio, aqui, não é cenário.
É parte envolvida.
Esse poema é sobre presença.
Sobre manter-se firme mesmo quando a água insiste em tocar os pés.
E sobre lançar — a rede ou a palavra — aceitando o que o fluxo devolver.
📸 ✍️ Alfa Bile
VersoLuz | Jornal Diarinho
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