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Fotógrafo, poeta e escritor. Autor do livro Lume, suas obras Fine Art já decoram hotéis como Hilton e Mercure. Publicado pela National Geographic e DJI Global @alfabile | @alfabilegaleria


Infinito enquanto dure: A eternidade cabe num instante


Publicado 19/12/2025 08:20

 

Como fotógrafo e poeta, passo a vida tentando capturar o instante. Busco aquele milésimo de segundo onde a luz é perfeita, ou aquela combinação de palavras que traduz um sentimento inteiro. Minha arte é, no fundo, uma tentativa de eternizar o que é passageiro.

Talvez por isso, nenhum poema ressoe tanto em mim quanto o "Soneto de Fidelidade", de Vinicius de Moraes.

Escrito em 1946, este texto não é apenas uma declaração de amor; é um manifesto sobre como viver. Vinicius, com sua sabedoria boêmia e divina, nos libertou do peso insuportável do "para sempre" estático e nos presenteou com a beleza do "para sempre" dinâmico.

Ele nos diz que o amor exige atenção ("De tudo, ao meu amor serei atento"). Não é um sentimento passivo, é um exercício diário de zelo, de olhar para o outro e se encantar novamente, mesmo diante das maiores belezas do mundo.

Mas é no terceto final que a mágica acontece. A famosa frase "Que não seja imortal, posto que é chama" nos lembra que a vida — e o amor — é feita de fogo. E o fogo aquece, ilumina, dança e consome. Ele é vivo.

Para nós, que vivemos a arte e a sensibilidade à flor da pele, esse soneto é um lembrete: não precisamos prometer a eternidade do tempo, apenas a totalidade da entrega. Que cada "vão momento" seja vivido com a intensidade de uma vida inteira.

Com vocês, a lição de amor do nosso eterno Poetinha:


Soneto de Fidelidade

(Vinicius de Moraes, 1946)


De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.


Que possamos viver nossos amores, nossos projetos e nossos dias com essa "fidelidade" que Vinicius propõe: não a de uma obrigação, mas a de uma devoção apaixonada pelo agora.


 

 


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