Por Alfa Bile - alfabile@gmail.com
Fotógrafo, poeta e escritor. Autor do livro Lume, suas obras Fine Art já decoram hotéis como Hilton e Mercure. Publicado pela National Geographic e DJI Global @alfabile | @alfabilegaleria
Publicado 07/01/2026 07:20
Ontem vivi uma daquelas tardes que a gente guarda com carinho.
Passei horas deliciosas com minha amiga Mara Graf — terapeuta, escritora, artista inquieta como eu, e minha companheira no Coral da Câmara de Vereadores de Itajaí. Quando nos encontramos, é quase regra: arte, vida e experiência se misturam sem cerimônia.
Conversamos sobre tudo um pouco. Sobre criação, sobre processos, sobre o jeito particular que cada um encontra para existir no mundo. E, claro, falamos de poesia. Foi numa dessas trocas que Mara me apresentou a obra de uma amiga poeta: Teca Mascarenhas.
Li trechos de dois de seus livros ali mesmo, entre falas, silêncios e risadas. Mas um poema específico me atravessou de imediato. Simples, direto, quase despretensioso — e justamente por isso tão certeiro:
Eu gosto de pássaro e de gente
Mas pássaro é melhor —
Porque sempre sabe o que fazer com as asas
Fiquei pensando no quanto esse poema diz com pouquíssimas palavras.
Ele fala de liberdade, de instinto, de autonomia. Fala também, de forma sutil, da nossa dificuldade humana de lidar com as próprias asas. Quantas vezes temos asas — e mesmo assim hesitamos? Quantas vezes sabemos voar, mas insistimos em ficar no chão?
A poesia da Teca tem essa inteligência tranquila. Não explica, não impõe, não grita. Apenas observa e entrega a imagem. E a imagem faz o resto do trabalho.
Teca Mascarenhas é poeta catarinense, nascida em Rio do Sul e radicada em Balneário Camboriú. É membro da Academia Catarinense de Letras e da Academia de Letras de Balneário Camboriú. Autora de livros como Tempo de migração, Meu singular é plural, Nem parece que é avesso e Anacruse, sua poesia cruza filosofia, natureza e afetos, com imagens fortes de pássaros, mar e cotidiano. Finalista do Prêmio Jabuti, também atua como professora, revisora e articuladora de projetos literários na região.
Saí daquela tarde com a sensação boa de quando a poesia chega sem aviso.
Por indicação de uma amiga, no meio de uma conversa despretensiosa, e fica.
É por isso que gosto tanto desses encontros: eles lembram que a arte também acontece assim — no afeto, na troca, na escuta. E que, às vezes, aprender o que fazer com as asas começa simplesmente lendo um verso certo na hora certa.
📸 ✍️ Alfa Bile
VersoLuz | Jornal Diarinho
Para acompanhar mais da minha arte, poesia e processos criativos:
📷 Instagram: @alfabile · @versoluzalfa
📘 Facebook: @alfabile1 · @versoluzalfa
Comentários:
Somente usuários cadastrados podem postar comentários.
Para fazer seu cadastro, clique aqui.
Se você já é cadastrado, faça login para comentar.
R$ 4.000,00