Por Dr. André Vicente D'Aquino - andredaquino@hotmail.com
Dr. André D'Aquino - médico CRM 9970 - RQE 16764 - Prevenção e promoção da saúde e bem-estar Instagram: @dr.andredaquino | Contato: (47) 3508-1000
Publicado 22/04/2026 12:26
O recente caso de uma professora brasileira que viajou à Suíça para realizar suicídio assistido trouxe à tona uma discussão que vai muito além da comoção.
A pergunta não é apenas ética. É técnica. É médica. É estrutural.
E precisa ser feita com clareza: Estamos diante de um desejo legítimo de morrer… ou de um sofrimento que não foi tratado adequadamente?
Além disso, um ponto que quase ninguém discute: o fracasso assistencial
Na prática clínica, existe um conceito fundamental: o paciente raramente quer morrer. Ele quer parar de sofrer.
E sofrimento não é só dor física. É um fenômeno complexo que envolve:
• dor mal controlada
• sofrimento emocional e psicológico
• sensação de inutilidade
• medo de ser um peso
• abandono social
Quando isso não é abordado corretamente, o pedido de morte aparece — mas como sintoma, não como decisão plena.
E aqui está o problema real: menos de 10% dos pacientes que precisam de cuidados paliativos no Brasil têm acesso adequado.
Ou seja, discutimos “morte assistida” em um cenário onde nem o básico — aliviar a dor — é garantido.
Isso não é evolução. Está mais para uma inversão de prioridades.
O que a medicina brasileira permite — e o que ela não permite
Existe muita confusão conceitual nesse debate. Precisamos separar claramente:
• Ortotanásia → permitir a morte natural, sem prolongamento artificial do sofrimento
• Cuidados paliativos → controle de sintomas e suporte integral até o fim
• Eutanásia / suicídio assistido → provocar deliberadamente a morte
A medicina brasileira é clara:
Permite ortotanásia
Defende cuidados paliativos
Veda abreviar a vida do paciente — mesmo a pedido
E isso não é atraso. É um posicionamento ético estruturante da profissão médica.
O argumento mais usado é o da autonomia: “o paciente tem direito de decidir sobre sua própria morte”
Mas na prática clínica, essa autonomia nem sempre é plena.
Ela pode estar comprometida pela depressão, pelo desespero, pelo sofrimento não tratado e pela falta de suporte
E quando a decisão envolve um terceiro — o médico — ela deixa de ser individual.
Passa a ser uma decisão ética da própria medicina.
E aí surge o limite: O médico existe para aliviar o sofrimento… ou para encerrar a vida?
Quando a morte passa a ser apresentada como solução médica, algo profundo muda.
A lógica deixa de “como cuidar melhor desse paciente?” passa a ser:“até quando vale a pena continuar?”
Essa mudança impacta famílias exaustas, sistemas de saúde sobrecarregados e decisões clínicas cada vez mais pragmáticas
E, aos poucos, o cuidado pode ser substituído por uma saída mais rápida.
A resposta ética que ainda negligenciamos
Existe uma alternativa concreta, científica e humanizada: Cuidados paliativos bem estruturados
Eles permitem:
• controle efetivo da dor
• suporte emocional e psicológico
• preservação da dignidade
• acompanhamento até o fim com qualidade
Isso é medicina de verdade. Isso é compaixão real.
A reflexão que precisa ficar
A discussão sobre “morte digna” só faz sentido em uma sociedade que garante, antes de tudo dignidade no cuidado, alívio do sofrimento e presença até o fim
Caso contrário, corremos o risco de transformar abandono em escolha… e desassistência em autonomia.
A medicina não foi feita para desistir do paciente. Foi feita para permanecer. Até o último momento.
Lembre-se: cuide da sua saúde física e mental. Fique atento e busque equilíbrio!
Não desanime — tenha força, garra e determinação.
Não hesite em procurar um médico de sua confiança, e se ainda assim você seguir com dúvidas ou dificuldades, me chame que te auxilio nessa jornada de saúde!
Dr. André Vicente D’Aquino Médico CRM/SC 9970, RQE 16764 Membro da American Society of Regenerative Medicine e da Associação Brasileira de Medicina Integrativa e Biorregulação - Vice-Presidente da SOBOM - Sociedade Brasileira de Ozonio Medicinal.
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