Economia
Seminovos puxam mercado de usados em Santa Catarina
Mercado de usados deixa de ser alternativa e assume papel central na mobilidade catarinense
Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]
Impulsionado por fatores econômicos, maior oferta e uma mudança clara no comportamento do consumidor, o mercado de veículos seminovos e usados consolidou-se como o principal motor das vendas automotivas em Santa Catarina em 2025. Segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores, o estado comercializou 934,9 mil automóveis e comerciais leves usados no ano passado, representando um crescimento de 19% frente a 2024. O movimento contrasta com o desempenho dos veículos zero-quilômetro, que registraram leve retração de 0,39%, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores.
Quase metade das negociações foi de seminovos de até três anos, responsáveis por 45,8% das vendas, evidenciando a preferência por modelos mais novos, porém financeiramente mais acessíveis, tendência também observada na região da foz do rio Itajaí-açu.
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Para o presidente da Associação dos Revendedores de Veículos de Santa Catarina, Ambrósio Mafra Neto, os juros elevados dos 0 km, a ampliação da oferta e a evolução das garantias, em alguns casos mantendo a cobertura de fábrica, explicam a migração do consumidor para os seminovos. Mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador, a entidade projeta estabilidade do mercado em 2026.
Luiz Fernando Gomes Sydor, CEO da CarVerse BR, diz que após a pandemia, o setor passou por uma reconfiguração estrutural, com alta nos preços dos veículos novos e maior valorização dos usados. Três fatores sustentam esse aquecimento: maior oferta de usados em faixas mais altas, consumidores mais atentos à forte depreciação dos 0 km nos primeiros anos e a busca crescente por segurança e transparência.
“O comprador deixou de apostar e passou a decidir com base em dados técnicos”, resume. A vistoria pré-compra ganhou protagonismo, avaliando documentação, histórico, estrutura, lataria, mecânica e eletrônica. Na leitura da CarVerse, o mercado vive um equilíbrio temporário entre custos crescentes, impulsionados por exigências de segurança e tecnologia, e maior concorrência entre marcas.
Foi essa lógica que mudou a visão do servidor público Thiago Rossi. Ex-cliente fiel do 0 km, ele optou por um seminovo de dois anos e baixa quilometragem. “Consegui um carro de categoria superior pelo preço de um modelo de entrada. Deixei para o primeiro dono a desvalorização mais pesada”, conta.
Redação DIARINHO
Reportagens produzidas de forma colaborativa pela equipe de jornalistas do DIARINHO, com apuração interna e acompanhamento editorial da redação do jornal.
