CARNAVAL
Itajaiense está preso na Bahia acusado de racismo
Redes sociais do cara têm manifestações de revolta
Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]
Um morador de Itajaí, de 42 anos, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça da Bahia. Ele é acusado de fazer insultos racistas contra funcionárias de um camarote no carnaval de Salvador. A prisão foi na terça-feira, último dia de Carnaval, num camarote do circuito Dodô (Barra-Ondina), um dos mais tradicionais da capital baiana.
O homem não teve a identidade divulgada pelas autoridades, mas o perfil atribuído a ele nas redes sociais passou a receber diversas mensagens cobrando punição e até mensagens violentas.
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Segundo o delegado Ricardo Amorim, da Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), o caso foi na fila do banheiro, após o homem ter comportamento repreendido por funcionárias do camarote. Ele teria xingado as trabalhadoras de “pretas”, “macacas”, “escravas”. Segundo o criminoso, por ser do sul ele teria mais direito do que as mulheres de estar ali. A direção do camarote identificou o agressor e acionou a polícia, que fez a detenção e o levou à delegacia especializada.
Durante audiência de custódia, na quarta-feira, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva a pedido do Ministério Público. A Justiça manteve a prisão e ele continua preso em Salvador.
De acordo com o delegado, o morador de Itajaí nega as acusações. Ele afirmou que frequenta o Carnaval de Salvador há mais de uma década e que nunca teve problemas anteriores.
A polícia vai analisar imagens de câmeras de segurança, ouvir as denunciantes, o acusado e testemunhas para concluir o inquérito. Como a justiça decretou a prisão preventiva, ele fica preso durante a investigação.
A pena para o crime de racismo no Brasil é de prisão de dois a cinco anos e multa. O crime é inafiançável e imprescritível. Com a lei 14.532/2023, a injúria racial passou a ser equiparada ao racismo, com o mesmo rigor punitivo, aplicável a discriminações por raça, cor, etnia, religião ou origem.
Nas redes sociais atribuídas ao itajaiense, internautas publicaram mensagens de indignação. “Tive o prazer de ver esse ser expulso do camarote”, escreveu um usuário. Outro comentou: “Espero que você responda judicialmente pelo que fez, que seja investigado, processado e condenado”. Também houve publicações com ofensas e desejos de violência, como “espero que morra”.
Com fotos postadas em vários lugares do mundo, o acusado teve mensagens de revolta postadas em quase todas as imagens. Em uma delas, onde aparece rezando, uma pessoa comentou: “o que adianta rezar e fazer o que fez em Salvador”. Outro diz “daqui a mil anos será lembrado como um racista!”
Franciele Marcon
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
