Santa Catarina

Ativistas dizem que informações sobre pacto contra feminicídios são vagas em SC

Organismos em Itapema, Penha e Barra Velha querem mais efetividade do governo do estado na proteção das mulheres

Legenda: Para Alessandra Coelho, ideologia do governador vai na “contramão da política pública” (Fotos: Divulgação)
Legenda: Para Alessandra Coelho, ideologia do governador vai na “contramão da política pública” (Fotos: Divulgação)
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Lideranças e ativistas de defesa da mulher na luta contra a violência doméstica ainda seguem no aguardo de informações mais concretas do governo do estado em relação ao enfrentamento da alta de feminicídios registrada em Santa Catarina — que contabilizou na segunda-feira mais duas mortes, uma em Balneário Camboriú e outra em União da Vitória, no sul do Paraná, na divisa com Santa Catarina.

Após receber pressão pública, Santa Catarina anunciou no último domingo a adesão do governo do estado ao Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, lançado em Brasília pelos três poderes na semana passada. O cenário estadual, entretanto, ainda é vago.

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Alessandra Coelho, representante do Movimento Mulheres do Litoral, de Itapema, lamenta os crimes recentes e diz que o cenário é cada vez mais problemático. “Em relação ao pacto, trata-se de uma política pública pensada diante de questões sociais evidentes”, afirma. “Ano passado, Santa Catarina registrou 52 feminicídios; o Brasil registra quatro feminicídios a cada 24 horas e houve 74 mil inquéritos de violência doméstica em 2025”, disse ao DIARINHO.

Na visão da ativista, a demora do governador Jorginho Mello (PL) em aderir ao pacto seria uma “sinalização ideológica” de que não estaria alinhado ao governo federal. “Mas acaba na contramão da política pública”, considera.

Outros organismos de defesa da mulher na região, como o Coletivo Mulheres do Brasil em Ação (CMBA), de Penha, e o Movimento Mulheres que Inspiram (Movi), de Barra Velha, também estavam sem informações oficiais sobre a decisão do governador.

Regina Santos, coordenadora do CMBA e da Casa de Referência da Mulher em Penha, lembra que, em pactos anteriores, Santa Catarina ficou de fora. Já a professora Betinha Tamanini, coordenadora do Movi, afirmou que Santa Catarina não pode mais retardar a participação em políticas públicas por motivos ideológicos. “O Estado deve unir-se à União nesse enfrentamento”, comentou.

Ações divulgadas

Apesar da possível reticência inicial em aderir ao pacto nacional, o estado se defende afirmando possuir ações de enfrentamento à violência — como a recente campanha protagonizada pelo ex-campeão do UFC Fabrício Werdum, voltada à mobilização dos homens na prevenção.

Segundo a vice-governadora Marilisa Boehm (PL), entre as demais medidas previstas para 2026 estão a ampliação das Salas Lilás de atendimento e proteção à mulher nas delegacias catarinenses e a finalização, em março, do Plano Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres.



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