BARRA VELHA
Atropelada por ônibus escolar aguarda indenização há 12 anos
Jovem luta para se recuperar de acidente quando voltava da escola
Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]
Érika Fernanda Bazi Fortuoso, de 21 anos, ainda sofre com um acidente sofrido há 12 anos. Ela foi atropelada por um ônibus que fazia o transporte escolar da Prefeitura de Barra Velha. O acidente foi quando tinha nove anos e deixou sequelas permanentes que comprometem a mobilidade. “O acidente mudou a minha vida. Depois dele tudo ficou difícil. Eu tinha apenas nove anos e voltava da escola básica municipal Manoel Antônio de Freitas”, contou.
Segundo Érika, na época a monitora ficava apenas dentro do ônibus e não ajudava as crianças a atravessar a rua. O atropelamento foi no dia 13 de setembro de 2013. “Eu desci do ônibus e fui atravessar a rua com outras crianças. O ônibus sempre seguia em direção à avenida, mas naquele dia deu ré. Quando percebi, vi todo mundo correndo e gritando meu nome. O ônibus me atingiu, caí no chão e a roda passou pela minha perna. Só não fui esmagada porque um amigo me puxou para a calçada”, relembrou.
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Após o acidente, o motorista ligou para o dono da empresa Tae Transporte e Turismo. “Ele me levou para o hospital porque não queria que ninguém soubesse. Não chamaram ambulância. Fui levada no carro, toda quebrada, até o PA de Barra Velha. De lá, os médicos me encaminharam para Joinville, no Hospital Infantil. Cheguei com fratura na tíbia, bacia quebrada, tornozelo quebrado e aberto por causa do asfalto, além de rompimento do nervo ciático”, relatou.
Doze anos depois, Érika ainda convive com limitações severas. “Tenho dificuldade para andar, levantar de lugares baixos, subir escadas e até para me locomover no dia a dia. Tenho desvio de quadril de 2 cm na perna direita, que só resolve com cirurgia e implante de prótese. Meus ossos são frágeis”, afirmou.
Ela entrou com processo na Justiça contra a prefeitura e a empresa responsável pelo ônibus. “No começo, a prefeitura só ajudou me levando de ambulância para uma cirurgia na coxa. Depois disso nunca mais ajudou em nada e negou envolvimento no caso, alegando que o ônibus era terceirizado, mesmo sendo transporte escolar e com uniforme”, disse.
Érika também afirma que a empresa sumiu e não foi mais localizada. “Toda vez que o oficial de Justiça vai atrás, não encontra a empresa nem o dono para marcar audiência”, contou.
A jovem espera que o caso avance. “Só quero que encontrem essa empresa e que a prefeitura assuma as responsabilidades no acidente. Nunca mais fui a mesma; até para levantar ou ir ao banheiro preciso de ajuda”, lamentou.
Enquanto o processo segue na Justiça, o advogado de Érika conseguiu uma aposentadoria temporária por invalidez até a decisão final. A assessoria do Tribunal de Justiça informou que o processo ainda está em fase inicial, já que só foi protocolado em 9 de janeiro de 2024. Neste momento ele encontra-se na fase de citação da empresa TAE Transportes. “Após a efetivação da citação, o próximo passo processual será, em regra, a designação de audiência de instrução”, informou o TJ.
Franciele Marcon
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
