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Carnaval de Itajaí deixa o Mercado Público depois de 10 anos

Folia deixa o Largo do Mercado e vai para o Centreventos; mudança provoca críticas de comerciantes e foliões

Folia de carnaval é tradição em Itajaí (Foto: Divulgação/Arquivo)
Folia de carnaval é tradição em Itajaí (Foto: Divulgação/Arquivo)
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Depois de mais de uma década no Largo do Mercado Público, o Carnaval Papa Siri vai mudar de endereço este ano. A decisão da prefeitura de transferir a folia para a área anexa ao Centreventos Itajaí gerou reação entre frequentadores históricos e, principalmente, comerciantes do Mercado Velho e do entorno, que reclamam da falta de diálogo e temem prejuízos com a mudança.

A prefeitura afirma que, com a mudança, o Carnaval Papa Siri 2026 terá mais segurança, melhor infraestrutura e avanços em acessibilidade, garantindo benefícios à população. Já moradores e foliões históricos veem a decisão como um rompimento com uma tradição consolidada e popular.

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Morador da região, Carlos Alberto afirma que o carnaval no Largo do Mercado sempre foi inclusivo, democrático e funcional. “Era uma tradição que dava certo. O receio é que aconteça o mesmo que no réveillon, quando o evento foi direcionado à iniciativa privada, com bebidas caras e problemas graves de infraestrutura, como o desmoronamento de uma arquibancada”, relembra.

“O Mercado Velho é o coração de Itajaí”

A professora Ana Lúcia da Silva, frequentadora assídua do carnaval do Mercado Público, classifica a decisão como “pouco democrática”. Segundo ela, a população não foi ouvida e a proibição de entrada com bebidas descaracteriza o carnaval de rua. “Em vez de tirar o evento do Mercado, a prefeitura deveria investir na estrutura do entorno e levar também o carnaval para outros bairros, mas de forma pública”, defende. Conforme outra fonte ouvida pelo DIARINHO, no novo espaço a venda de bebidas deve se restringir a cervejas artesanais.

Figura tradicional da folia no Mercado, Maurício Bento também critica a mudança e a falta de diálogo. “O Mercado Velho é o coração de Itajaí. A ideia deveria ter sido apresentada para o povo responder”, afirma. Para ele, a nova configuração limita a participação popular e descaracteriza o carnaval da cidade.

Lílian Bittencourt reforça a crítica e defende que o evento mantenha o formato dos anos anteriores, inclusive com o palco retornando para a área próxima ao mercado de peixe.

Em nota, o município afirma que a definição do local é prerrogativa da administração pública e que não há exigência legal de consulta prévia à comunidade. A prefeitura também nega terceirização do evento e informa que a questão da comercialização de bebidas ainda está em análise.

O Carnaval Papa Siri 2026 acontece de 13 a 17 de fevereiro, mas a programação no novo espaço deve iniciar antes, com a escolha da rainha do carnaval. Os detalhes oficiais serão apresentados em coletiva de imprensa no dia 21 de janeiro.

Comerciantes falam em prejuízo e sentimento de traição

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Alegando medo de retaliações, comerciantes do Mercado Público e do entorno pediram que seus nomes fossem preservados ao relatar indignação com a mudança. Segundo eles, o carnaval sempre foi um período essencial para o faturamento anual. “Fomos pegos de surpresa. O carnaval do Mercado é popular, acontece há anos e sempre funcionou com baixo custo para a prefeitura”, afirma um dono de bar.

Outro comerciante relata frustração coletiva. “São quase 10 anos de tradição, tirando o período da pandemia. Sempre trabalhamos juntos para garantir um evento seguro, familiar e animado. Não fomos avisados, não fomos ouvidos. Se fosse para resumir, as palavras são traição e descaso”.

Acessibilidade também é questionada

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Entre os argumentos da prefeitura de Itajaí está a ampliação da acessibilidade, com espaços destinados a pessoas com deficiência, autistas, pessoas com síndrome de Down, inclusive, com intérpretes de Libras. A prefeitura promete ainda camarote acessível, área para cadeirantes e melhor visibilidade do palco.

Alexandre de Freitas, da Associação dos Deficientes Físicos de Itajaí (Adefi), reconhece que a estrutura no Largo do Mercado era improvisada, mas ressalta que a entidade não foi consultada com relação às novas instalações. “Acessibilidade não se constrói de uma hora para outra. Existem critérios técnicos, inclusive para banheiros adaptados, que precisam garantir dignidade e conforto”, alerta.



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