INDICADORES SOCIAIS
Pobreza aumenta em SC, mas estado ainda é o com menos pobres do Brasil
Segundo a pesquisa divulgada, 43 mil catarinenses entraram pra faixa abaixo da linha da pobreza em 2020
Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]
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Pesquisa do IBGE de Indicadores Sociais 2021, divulgada na sexta-feira, mostra que a pobreza aumentou em Santa Catarina, mas o estado ainda segue com o menor percentual de pessoas abaixo da linha da pobreza do Brasil. Conforme o resultado, Santa Catarina apresenta a melhor distribuição de renda do país e também se destaca em diversos indicadores do mercado de trabalho.
O destaque negativo foi a alta de pessoas pobres. Cerca de 43 mil catarinenses entraram pra linha da pobreza em 2020, com o estado somando 615 mil pessoas nessa condição. Apesar da piora, a quantidade ainda é a menor do país. O estado aparece com 8,5% dos trabalhadores abaixo da linha da pobreza e 1,9% abaixo da linha de pobreza extrema.
Os percentuais para Santa Catarina são os menores do país, mas aumentaram respectivamente, 0,5% e 0,4% em 2020 em relação ao indicador em 2019. Santa Catarina tinha no ano passado 615,3 mil pessoas abaixo da linha da pobreza, com 43,2 mil a mais que em 2019, e 137,5 mil pessoas em pobreza extrema, número que aumentou em 10,7 mil.
A classificação leva em conta as referências do banco Mundial para as linhas de pobreza, quando a renda familiar mensal é até R$ 450, e de pobreza extrema, quando as famílias vivem com menos de R$ 155 por mês.
O rendimento médio dos 10% da população catarinense mais bem remunerada é de R$ 8096, enquanto que o dos 40% dos catarinenses com menores salários tem média de R$ 1113, apenas R$ 13 a mais que o salário mínimo.
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A desigualdade entre os rendimentos médios, com diferença de quase 7 vezes, é a menor do país. No Brasil, os 10% mais bem pagos tem 12,2 vezes maior rendimento que os 40% com menor remuneração.
Também há desigualdade nos rendimentos entre homens e mulheres, que seguem ganhando menos. Em Santa Catarina, eles têm renda média de R$ 2946, valor 26,8% maior que a média das mulheres, de R$ 2323. A diferença, no entanto, caiu em relação à 2019, quanto o índice era de 32,1%.
O estudo sobre as condições de vida dos brasileiros leva em conta o índice Gini, que varia de 0 a 1 e indica maior desigualdade social quanto mais se aproxima do zero. Em Santa Catarina, o indicador caiu para 0,412 em 2020, contrastando com o cenário nacional, que teve queda para 0,524.
Florianópolis é a cidade com índice mais próximo do nacional (0,505), sendo a 8ª capital melhor classificada, com queda de cinco posições em relação à 2019.
Mercado de trabalho
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Nos indicadores do mercado de trabalho, o estado manteve bons resultados, continuando entre os melhores do país. Em 2020, Santa Catarina registrou a menor taxa de desocupação (6,4%) e a maior parcela da população (84,4%) com trabalho habitual ao menos por 40 horas semanais.
A taxa de formalização atingiu o maior patamar histórico: 79 de cada 100 trabalhadores catarinenses estavam com emprego formal no ano passado. A taxa de 79,4% foi a maior entre os estados do sul, contra 73% no Rio Grande do Sul e 71% no Paraná. Maior desocupação foi registrada entre mulheres e pessoas pretas e pardas.
O rendimento domiciliar por pessoa no estado foi o que apresentou o menor impacto dos benefícios de programas sociais, como o auxílio emergencial. A renda das famílias teria sido 2% mais baixa se não fossem os benefícios. No país, esse impacto foi de 5,9% no ano passado. Sem programas sociais, 32% dos brasileiros estariam em situação de pobreza.
Conforme a pesquisa, cerca de 3 milhões de catarinenses têm renda de até um salário mínimo. Houve redução da proporção de pessoas nas três faixas superiores de rendimentos, ou seja, há menos pessoas ganhando salários acima de um salário mínimo.
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Catarinenses avaliam que moram bem
Os indicadores da pesquisa para Santa Catarina mostram que 78% dos catarinenses avaliaram como bom o padrão de moradia das famílias. O percentual representa 5,5 milhões da população do estado.
Entre as pessoas que relataram algum problema na moradia, casos de fundação, parede ou chão úmidos foram os mais citados (21,4%), seguidos da falta de espaço (20,7%) e janelas, portas ou assoalhos precários (18%).
Na pesquisa anterior, entre 2008 e 2009, o problema de pouco espaço na casa era considerado o maior, sendo quase 30% das queixas. As famílias com estudantes de escolas privadas são as que mais têm computador ou notebook com acesso à internet em casa. A taxa foi de 92,7%, contra 67,5% de alunos da rede pública.
Na área da saúde, o estudo registrou que 61% dos catarinenses tem cobertura com atendimento do SUS, índice maior que a média nacional, de 56%. O gasto médio mensal das famílias catarinense com saúde foi de R$ 141,87, pouco acima da média nacional, de R$ 133,24.
Família do Santa Regina pede doações de alimentos
A família de Tatiane Cidade Serpa e Marcelo Serpa segue precisando de doações para dispor do básico para a sobrevivência. O casal mora no residencial São Francisco de Assis, no bairro Santa Regina, com as filhas pequenas, uma de quatro anos e outra de 11 meses. Eles estão desempregados e ainda não foram encaixados em programas sociais.
Marcelo faz tratamento psiquiátrico contra um quadro de depressão profunda e esquizofrenia. A esposa conta que ele já passou por perícia mas ainda não recebeu o benefício social. Tatiane trabalha às vezes com limpeza, mas o que ganha não é suficiente pra bancar as despesas básicas.
A família conta apenas com um benefício da secretaria de Assistência Social, não conseguiu o auxílio Emergencial neste ano e aguarda entrar no novo Bolsa Família.
“Faço um pedido de uma mãe desesperada. Estou sem nada. Minha menina está precisando de leite Mucilon, alimentos e fraldas”, apela. O casal recebe qualquer ajuda em dinheiro, produtos da cesta básica e alimentos para as crianças. O PIX para transferência é o telefone (47) 99776-3869.
Desde 2017, a família de Tatiane vive em condições difíceis. O casal ficou conhecido pela tragédia onde perdeu três filhos eletrocutados por um fio energizado que arrebentou e caiu numa poça perto de onde as crianças brincavam durante um temporal. Na época, a família vivia na rua João Dalmolin, no bairro Carvalho, numa área de ocupação irregular. Uma ação na justiça cobra responsabilização da Celesc.