Colunas


ECA Digital: um novo tempo para proteger nossas crianças nas telas


ECA Digital: um novo tempo para proteger nossas crianças nas telas
(IMAGEM ILUSTRATIVA)

Marlene Fengler

Secretária-geral da Alesc

 

Há alguns anos, falar sobre limites no uso da internet por crianças e adolescentes parecia exagero. Hoje, já não há como negar: o excesso de telas se tornou um dos grandes desafios da ...

Já tem cadastro? Clique aqui

Quer ler notícias de graça no DIARINHO?
Faça seu cadastro e tenha
10 acessos mensais

Ou assine o DIARINHO agora
e tenha acesso ilimitado!

Secretária-geral da Alesc

 

Há alguns anos, falar sobre limites no uso da internet por crianças e adolescentes parecia exagero. Hoje, já não há como negar: o excesso de telas se tornou um dos grandes desafios da infância. O que antes era visto apenas como entretenimento passou a ocupar um espaço central na rotina das famílias, das escolas e nas preocupações dos governos.

O mundo começa a reagir. A Austrália decidiu proibir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais. A Dinamarca anunciou restrições para crianças com menos de 15. Essas medidas não surgem do acaso. São respostas a dados consistentes e a uma realidade que pais e educadores conhecem bem: crianças expostas cedo demais a conteúdos que não conseguem compreender ou elaborar emocionalmente.

As consequências aparecem na saúde mental, na dificuldade de concentração, no aumento da ansiedade e do isolamento. Não se trata de alarmismo, mas do cotidiano de muitas famílias. Episódios recentes ajudam a ilustrar esse cenário. O influenciador Felca, que denunciou a adultização de crianças nas redes sociais, relatou ter recebido ameaças após apoiar mudanças anunciadas na plataforma Roblox, que restringiram o uso do chat por crianças. As mensagens, segundo ele, teriam sido enviadas por usuários que se identificam como menores de idade.

O episódio chama atenção não pelo influenciador em si, mas pelo que revela: crianças reagindo com agressividade extrema diante de limites impostos em ambientes digitais. Quando uma criança se sente à vontade para enviar ameaças, mesmo sem compreender plenamente o peso de suas palavras, algo falhou antes. Falhou a mediação, falhou a proteção, falhou a presença adulta.

No Brasil, o cenário também preocupa. Em 2025, 92% das crianças e adolescentes de nove a 17 anos usaram a internet, praticamente todas pelo celular. O país está entre os líderes mundiais em tempo de tela: jovens passam, em média, nove horas por dia conectados. O ingresso nas redes sociais ocorre cada vez mais cedo, muitas vezes sem maturidade emocional para lidar com conteúdos nocivos ou mesmo distinguir o que é real do que não é. O impacto aparece nos vínculos sociais, na formação emocional e no desempenho escolar.

É nesse contexto que 2026 se torna um marco importante. A entrada em vigor do ECA Digital representa um avanço ao permitir maior responsabilização das plataformas e ao fortalecer o papel dos pais e responsáveis no acompanhamento do que crianças e adolescentes consomem online. A exigência de vinculação de contas a um responsável legal não resolve tudo, mas cria ferramentas para quem, até agora, se sentia sozinho diante de um universo difícil de controlar.

Esse debate não é novo para mim. Como mãe e como ex-parlamentar, acompanhei de perto essa preocupação. Em 2019, Santa Catarina instituiu a Semana de Orientação, Prevenção e Combate à Dependência Tecnológica, antecipando um debate que hoje ganha dimensão global.

A regulamentação do ECA Digital é um passo importante, mas não substitui o papel da família. Nenhuma lei ocupa o lugar da conversa, do limite combinado e do acompanhamento diário. Proteger a infância no ambiente digital exige corresponsabilidade. Porque a tecnologia deve servir ao desenvolvimento saudável das crianças, e não o contrário. A infância não é fase de teste. É base para toda uma vida.


Conteúdo Patrocinado


Comentários:

Deixe um comentário:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Para fazer seu cadastro, clique aqui.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.

ENQUETE

Você é a favor do corredor exclusivo para ônibus no centro de Itajaí?



Hoje nas bancas

Confira a capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯


Especiais

Guerra no Irã: alerta estridente de que combustíveis fósseis não têm nada de seguros

ALERTA

Guerra no Irã: alerta estridente de que combustíveis fósseis não têm nada de seguros

Programa atômico do Irã foi criado pelos EUA que hoje lança “Fúria Épica” sobre o país

GUERRA

Programa atômico do Irã foi criado pelos EUA que hoje lança “Fúria Épica” sobre o país

BC modernizou produtos, mas não atualizou regulação, apontam especialistas

Banco Master

BC modernizou produtos, mas não atualizou regulação, apontam especialistas

Armas, carbono e mistério: o segredo militar que põe em risco o clima do mundo

MUNDO

Armas, carbono e mistério: o segredo militar que põe em risco o clima do mundo

Refrigerante pode pagar menos imposto que a água mineral

A força do lobby

Refrigerante pode pagar menos imposto que a água mineral



Colunistas

Vereadora quer secretaria da mulher em Navega

JotaCê

Vereadora quer secretaria da mulher em Navega

Semana promete sol todos os dias

Charge do Dia

Semana promete sol todos os dias

Arquitetura do mar

Clique diário

Arquitetura do mar

Coluna Esplanada

Nomes em teste

MDB deve ter candidatura própria

Coluna Acontece SC

MDB deve ter candidatura própria




Blogs

Carlos Humberto tomou conta do campinho

Blog do JC

Carlos Humberto tomou conta do campinho

Balneário Camboriú será palco de evento com foco em corretores e empreendedores do mercado imobiliário

Blog do Ton

Balneário Camboriú será palco de evento com foco em corretores e empreendedores do mercado imobiliário

Dupla brasileira estreia na Bacardi Cup

A bordo do esporte

Dupla brasileira estreia na Bacardi Cup






Jornal Diarinho ©2025 - Todos os direitos reservados.