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Coluna Fato&Comentário

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Edison d´Ávila é itajaiense, Mestre em História e Museólogo, mestre em Cultura Popular e Memória de Santa Catarina. Membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Itajaiense de Letras e da Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí. É autor de livros sobre história regional de Santa Catarina

Nóbrega Fontes e os festivais de inverno de Itajaí


Neste mês de julho de 2018, completam-se 45 anos da criação do 1º Festival de Inverno de Itajaí, pela iniciativa do agente cultural Antônio Augusto Nóbrega Fontes, com patrocínio da Prefeitura de Itajaí, através do Conselho Municipal de Turismo. Nóbrega Fontes (1923/1986) era catarinense de São Francisco do Sul; mas, órfão de mãe, viera morar com a avó e tias paternas, da tradicional família Fontes, em Itajaí, desde os três anos de idade. A partir de 1945, passara a residir no Rio de Janeiro, onde foi funcionário do Banco do Brasil. Na então Capital Federal, envolveu-se intensamente com arte e cultura, fazendo amizade com artistas e intelectuais como Pascoal Carlos Magno, Edison Carneiro, Burle Marx, Athos Bulcão, Augusto Rodrigues, Djanira, Fayga Ostrower, Zoé de Chagas Freitas, Antônio Maria, Alcídio Mafra de Souza, Alberto Zaluar, dentre outros. Ele tinha especial atração por festas populares, porque atribuía imenso valor às tradições e cultura do povo. Desde os anos de 1950, dedicou-se a divulgar no Rio de Janeiro o folclore catarinense com exposições, palestras e até programas na TV. Tornou-se respeitado folclorista, diretor do Grupo de Estudos Folclóricos da AABB/Rio de Janeiro e fundando em 1962 o Clube dos Amigos do Folclore, que promovia seguidas palestras, festivais e encontros de folcloristas. Fontes sempre se preocupou em promover cultura em Itajaí, cidade que tinha como sua segunda terra natal. Dois exemplos: ao organizar em 1958 a primeira exposição itinerante de artistas plásticos modernistas brasileiros em Santa Catarina, dentre os quais estava Portinari, fez questão de também incluir Itajaí nessa itinerância e, quando das comemorações do 1º Centenário do Município de Itajaí, em 1960, apresentou ao prefeito Lito Seára e foi o responsável pela programação cultural daquele evento. Mas Nóbrega Fontes queria criar na cidade um evento cultural de caráter permanente, que fosse construindo de forma gradual base maior para desenvolvimento da arte e da cultura em Itajaí. Inspirado nos Festivais de Inverno de Ouro Preto e Campos do Jordão, ao ser nomeado membro do Conselho Municipal de Turismo, ele lançou ali a ideia do Festival de Inverno de Itajaí. Em 1973, primeiramente com patrocínio da Prefeitura de Itajaí, depois, também com o Governo de Santa Catarina e a Funarte/Fundação Nacional de Artes, criou e dirigiu durante todo o mês de julho o 1º Festival de Inverno de Itajaí. Os programas de arte e cultura no mês de julho geraram grande efervescência cultural na cidade e, ao longo de 10 edições, motivaram o surgimento de grupos de teatro, de música e canto, de artistas plásticos, museu, escolinha de arte, casa da cultura e de um público apreciador de arte, que são o seu legado. Uma biografia cultural de Nóbrega Fontes está sendo preparada para contar-lhe vida e obra com cultura. Os Festivais de Inverno de Itajaí infelizmente morreram em 1983, quando por aqui políticas públicas obtusas venceram o entusiasmo criativo de seu realizador e do grupo de apoio que o secundava. Ao Fontes, pois, a homenagem dos que, em Itajaí, querem bem à cultura. Ele que soube ser criativo, destemido, competente, generoso. E amigo, que era a melhor das qualidades de seu caráter.


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