Publicado 08/10/2017 10:56
Texto do vereador peixeiro, Edson Lapa, o bonzinho (PR), sobre as polêmicas declarações do vereador Calinho Mecânico (PP) e Fernando do Ônibus (PDT), sobre a votação tenebrosa do IPTU no mês que passou. Por nascer, viver e estar em um estado laico, me surpreendeu o pronunciamento que presenciei na tarde de terça-feira (03/10), durante a Sessão Especial da Câmara de Vereadores de Itajaí, realizada no Asilo Dom Bosco. Em que pese meu total respeito ao colega vereador, como homem de fé, pastor e vereador, não posso me calar diante de tal discurso. O representante da bancada de situação (governista), vereador Calinho Mecânico, fez um discurso de causar inveja a Rogério Cardoso, ou melhor, ao seu famoso personagem Rolando Lero, da Escolinha do Professor Raimundo, ao soltar pérolas no melhor do ‘embromation e enrolation’, como “hoje, por exemplo, para completar o doze tem que ter doze componentes”, e “o ano é destinado, queira ou não queira, com doze meses” e ainda “os doze apóstolos do governo de Itajaí”. Frases que rechearam o discurso desconexo e raso de razão e teologia. Não bastassem as confusas frases já apresentadas, o colega edil encaminhou sua fala para o precipício ao deturpar as sagradas escrituras. Livro de Zaqueu não existe; na passagem bíblica em questão Jesus entrou em Jericó e não em Jerusalém; e para falar sobre dar a Deus e dar a Cesar o que é devido a cada um é preciso entendimento. Foi irônico na sessão seguinte que votou favoravelmente ao aumento do IPTU o vereador citar justamente Zaqueu, um publicano (cobrador de imposto para o Império Romano). O texto bíblico que faz referência ao acontecimento encontra-se no livro de Lucas, capitulo 19. A bíblia relata que ele cobrava o tributo a mais - de forma ilegal. E, ao encontrar-se com Jesus, o grande mestre, Zaqueu reconheceu seu pecado e, imediatamente, prontificou-se a “dar metade das suas riquezas aos pobres. E se houvesse explorado alguém na cobrança de impostos devolveria quatro vezes mais” (Lc. 19:8. adaptação do autor). Outra ironia do célebre discurso encontra-se na afirmação “dai a Cesar o que é de Cesar, e dai a Deus o que é de Deus”. Primeiro que são passagens bíblicas distintas. E novamente texto sem contexto virando pretexto para dizer o que se quer. Neste caso, usado para distorcer a sagrada escritura. Será que todos que repetem os trechos da bíblia sabem seu real significado? Dar a Deus implica na responsabilidade espiritual e eterna que cada indivíduo tem com a imagem de Deus, destacando-se de seus atributos a justiça; claramente não observada por àqueles que tramaram contra Jesus, cujo objetivo não era a coleta de impostos como ato de cidadania, mas armar para enquadrar o Cristo e lograr êxito na cilada. De igual modo, vejo incoerência entre discurso e prática de todos que se beneficiam do tributo imposto ao povo para obter proveito político. Parece um déjà-vu dos tempos bíblicos: cobradores de impostos subindo em palanques como se fossem árvores, usando a Palavra de Deus para justificar seus atos, e ego e orgulho inflados, desejosos por poder, representados por uma autodenominação: apóstolos. Apóstolos? Outra ironia. É sabido que entre os 12 havia um que era ladrão (João 6.12), que teve triste fim, morrendo para a vida e se eternizando na história como traidor, ao vender sua dignidade por 30 moedas de prata. Aliás, a moeda de Cesar também era de prata, mesma matéria-prima daquelas entregues aos malfeitores que levaram Cristo à cruz. Tenho dificuldade em acreditar que o Pai tenha pedido para algum vereador votar a favor do aumento do IPTU (publicado no jornal e comunicado por radialista, atribuído a outro parlamentar), e que tenha revelado exclusivamente ao vereador Calinho, no monte, que ele, seus colegas de bancada, o prefeito e os secretários estejam no caminho certo. Tal disparate significaria afirmar que os pastores de Itajaí, os filhos de Deus, todos estão errados e só os “apóstolos do governo” têm a luz divina que nos guiará. Autodenominar-se apóstolo tem seu preço. Os chamados por Jesus, apesar de incrível responsabilidade, eram pessoas instáveis, imaturas, cheias de preconceitos, ignorantes, impulsivas ou impetuosas; pecadores. A boa notícia é que apesar de um apóstolo ter traído, outro negado, outro ser incrédulo, outros desejarem posição privilegiada de poder, todos foram transformados pelo amor de Deus, o Pai, ao aceitarem o evangelho de Jesus, o Filho. A condução política e administrativa da cidade não se faz com bravatas, frases de efeito (e defeito), e citações de trechos bíblicos para persuadir. É preciso reconhecer, se estiver errado, como fez Zaqueu; é preciso ser correto para dar o justo a Cesar, como ensinou Jesus, mas sem ser pesado aos outros; e é preciso dar a Deus o que é dEle: fazer jus aos seus atributos impressos em nós, entre eles a justiça e a verdade. Edson Lapa. Foto (Divulgação)
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