Por Magru Floriano - magrufloriano2008@gmail.com
Magru Floriano é graduado em História e Pedagogia, pos-graduado em Educação e Marketing, mestre em Educação. Professor universitário aposentado. Colunista e repórter desde a década de 1970
Publicado 16/05/2026 21:55
A foto que ilustra esse texto apresenta uma parte da cidade que, até agora, tem sofrido poucas transformações físicas. É o final da rua João Bauer. Como podemos ver, ainda estão por ali a Casa Paroquial – que se transformou gradativamente no atual Hospital Infantil Pequeno Anjo -, a Caixa d’Água e a sede da Casan, o prédio da biblioteca da Fepevi; e, as residências do Laercinho Cunha, famílias Niehues, Reichert e Floriano dos Santos; a torre e o prédio da Telesc.
Passando por ali, parei para refletir sobre a passagem do tempo. Diferentemente de outros pontos da cidade, como são os casos das ruas Lauro Müller e Hercílio Luz, a rua João Bauer não sofreu grandes modificações físicas, mas as pessoas da minha juventude não estão mais lá. Meus pais já morreram, assim como o Laercinho, o casal Ludgero e Wilma Niehues, bem como os filhos César e Calinho. A casa da minha família virou um consultório odontológico, a casa dos Niehues está abandonada, enquanto a antiga biblioteca da Fepevi (atual Univali) está em escombros. O pé de butiá que decorava o jardim da casa da minha família há muito foi retirado para dar lugar a um estacionamento ...
Logo ali na frente, todas essas residências serão derrubadas para dar lugar a prédios e a memória viva que cultivamos irá embora conosco, deixando a cidade livre para crescer e não olhar para trás. O pior é ter consciência de que nem podemos reclamar dessa força inexorável do tempo, porque fizemos o mesmo quando minha família construiu a casa ao lado da Caixa d’Água. Afinal, ali era o terreno do antigo cemitério da cidade e meu pai encontrou muito restos mortais quando os pedreiros cavaram para erguer as sapatas de nossa nova residência. O passado não impediu meu pai de erguer uma casa em estilo moderno, projetada pelo engenheiro João Mello. Quando essa casa for derrubada para dar lugar a um prédio de trinta andares poderei dizer o quê? Direi o que meu pai disse diante de restos mortais abandonados no antigo cemitério da cidade “... é vida que segue!”
Mas, a minha memória ainda está viva e, enquanto viver, lateja forte e me faz ter consciência do quanto nossa cidade está mudando. Andando por esses lugares, minha mente fica o tempo todo confrontando imagens atuais com flashes do passado. Imagens sobrepostas, sentimentos múltiplos e contraditórios ... emoções. Não consigo apenas olhar. Olho, lembro e me emociono, porque o presente traz em sua estrutura o passado que vivemos. Não somos turistas, somos parte da paisagem.
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