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Magru Floriano é graduado em História e Pedagogia, pos-graduado em Educação e Marketing, mestre em Educação. Professor universitário aposentado. Colunista e repórter desde a década de 1970


Inteligência Artificial: o perigo da manipulação de imagem


Publicado 25/04/2026 22:24

Nas minhas aulas de Sociologia da Comunicação na Univali – Universidade do Vale do Itajaí – mantinha uma coleção de lâminas para retroprojetor com reproduções de fotos que foram manipuladas pela ditadura stalinista, visando defenestrar Leon Trotsky da História da URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Isso, nas décadas de 80 e 90, era considerada uma exceção, algo tecnicamente muito difícil de ser feito. Passadas algumas décadas temos recursos tecnológicos em nossos celulares para fazer muito mais do que apenas tirar uma pessoa indesejada da foto. Aquilo que apenas um regime totalitário conseguia fazer, agora, pode ser feito por qualquer pessoa. Eis o mundo contemporâneo na sua imposição tecnológica absoluta.

Nos últimos meses ocorreu uma adesão em massa a programas que manipulam imagens e textos com o uso de IA – Inteligência Artificial – potencializando de forma exponencial a manipulação de todo o conteúdo digital existente nos computadores. O primeiro alerta dos especialistas veio com a confirmação de que a IA ‘alucina’, inventando, manipulando, corrompendo textos e suas respectivas traduções. Quando algo não é ‘inteligível’ para o robot ele simplesmente inventa algo para colocar no lugar.

Acontece que agora, com o uso massivo de IA para colorizar e restaurar imagens, o mesmo fenômeno parece estar ocorrendo. O robot ‘alucina’, inventando formas e completando imagens com algum dano e definição. Parece que a IA utiliza de forma incorreta a ideia da Gestalt que estabelece que o cérebro humano tem a tendência natural de ‘completar’ algo que se apresenta à sua frente de forma incompleta ...

Então, o robot está reproduzindo grandes defeitos da mente humana: está alucinando diante do que não conhece ou não tem capacidade de identificar; está completando e preenchendo imagens que não consegue definir com precisão visual no seu todo. Pelo menos em um ponto o ser humano leva vantagem na disputa com a IA. Trata-se do fato de que a alucinação humana leva a uma criatividade ilimitada, com mitos, fantasias, contos, literatura, mitologia ...

O perigo dessa ‘alucinação’ e tendência de definir o que não está definido em imagem, nos leva a corromper todo o nosso banco de dados sobre a memória de nossa comunidade. As fotos que atualmente estão sendo colorizadas por IA, deixando o original preto e branco de lado, estão circulando muito rapidamente nas redes sociais. Esses erros, logo ali na frente, não serão detectados pelas novas gerações de estudantes, professores e pesquisadores e a imagem destorcida será considerada a expressão da realidade.

Dia desses uma foto aérea de Itajaí em preto e branco apareceu colorizada por IA nas redes sociais. Nela recebia destaque o prédio do Instituto Nacional do Pinho e seu pátio de depósito de madeira à margem da ferrovia EFSC (atual Avenida Vereador Abrão João Francisco – Contorno Sul). As pilhas de madeira foram transformadas em casas, com telhados e janelas. A IA transformou pilhas de madeira em casas, e o depósito de madeira do INP em loteamento popular. A foto já está circulando nas redes, como impedir que ela seja reproduzida nas escolas? Não tem mais como ... eis o grande problema.

 


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