POLÍCIA
Fotógrafo é condenado a 14 anos de prisão por venda de imagens de meninas modelos
Jorge Amaro de Moura aliciava crianças com promessa de carreira como modelo e comercializava fotos e vídeos de exploração sexual infantil
Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]
O fotógrafo Jorge Amaro de Moura, de 62 anos, foi condenado de forma definitiva por abusar de crianças e adolescentes e vender imagens de exploração sexual infantil na internet. Segundo a investigação, ele atraía meninas com promessa de carreira como modelo, produzia fotos e vídeos e comercializava o material em sites clandestinos hospedados no exterior.
A condenação é resultado da Operação Abusou, deflagrada pela Polícia Federal de Itajaí em abril de 2022. A sentença transitou em julgado no fim de janeiro, o que significa que não cabe mais recurso. Jorge já cumpre pena de 14 anos e nove meses na penitenciária do Complexo Penitenciário da Canhanduba, em Itajaí.
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De acordo com a Polícia Federal, o grupo do qual ele fazia parte disponibilizou mais de 200 mil fotos e vídeos de meninas menores na chamada deep web, área oculta da internet. Ele foi apontado como um dos principais responsáveis pelo esquema de abuso sexual, produção e venda do material.
O fotógrafo famoso teve estúdio por mais de 30 anos na região de Balneário Camboriú. Além de fotógrafo, se apresentava como agenciador de modelos e jurado de concursos de beleza. As abordagens das meninas aconteciam principalmente pelas redes sociais.
As vítimas e familiares eram convencidos a autorizar sessões de fotos com roupas de banho e sem peças íntimas, sob a justificativa de que o material seria exigência de empresas da área da moda e publicidade. Conforme a denúncia, após a primeira sessão, parte das vítimas era levada ao estúdio, onde sofria abusos. As imagens eram vendidas sem consentimento.
Prisão e investigação
Jorge Moura foi preso preventivamente em abril de 2022, em um apartamento na rua 1600, em Balneário Camboriú. O estúdio dele, na avenida Alvin Bauer, também foi alvo de busca e apreensão.
Na mesma operação, outro fotógrafo da cidade, identificado pelas iniciais R.W., de 68 anos, apontado como responsável pelo site que hospedava o material, teve mandados cumpridos em seu apartamento na rua 801. Ele foi condenado a 12 anos e três meses de prisão, mas ainda recorre em liberdade.
200 mil arquivos
As investigações identificaram cerca de 200 mil arquivos de imagens e vídeos comercializados por meio de cartões de crédito, transferências internacionais e criptomoedas.
Segundo a polícia, desde 2001 meninas eram filmadas e fotografadas sob promessa de agenciamento para trabalhos de moda e publicidade. O condenado também foi acusado de induzir as modelos a trocarem de roupa no carro e no estúdio, onde haveria espelhos e câmeras posicionados para registrar as imagens.
Mais de 120 menores brasileiros, com idades entre 4 e 18 anos, foram identificados. Ao todo, 10 pessoas foram indiciadas por crimes como organização criminosa, violação sexual mediante fraude, importunação sexual, assédio sexual, registro não autorizado da intimidade sexual, disponibilização de material pornográfico e estupro de vulnerável.
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Todos ainda recorrem em liberdade. Somente Jorge Amaro de Moura teve a sentença definitiva.
O material foi periciado pelo Serviço de Repressão a Crimes de Ódio e Pornografia Infantil da Polícia Federal, em Brasília, com apoio da Interpol e de autoridades dos Estados Unidos.
Franciele Marcon
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
