BALNEÁRIO CAMBORIÚ
Homem que matou a esposa avisou o patrão do filho para que ele não fosse em casa
Mensagem relatando tragédia foi enviada logo após o crime no bairro das Nações
Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]
O homem acusado de matar Ana Paula Farias, de 42 anos, dentro da casa onde moravam, na rua Peru, no bairro das Nações, em Balneário Camboriú, enviou um áudio ao patrão do filho da vítima pedindo que o jovem não fosse para casa pra não encontrar a mãe morta.
A mensagem foi enviada às 10h23, uma hora depois do feminicídio. Ana Paula foi morta por asfixia dentro de sua casa na manhã desta segunda-feira. No áudio, o assassino relata que tinha cometido “uma tragédia” e pede ajuda para manter o filho da vítima no trabalho. “Oh, Elton, por favor, segura o Igor na marcenaria. Eu fiz uma tragédia dentro da minha casa. Eu briguei com a mãe dele, fiz uma tragédia lá [...]. Segura ele, por favor, não deixa ele ir até a casa”, diz o trecho da gravação.
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Após receber o áudio, o patrão do filho de Ana Paula foi até a casa da família, na rua Peru, número 1000. Ele pulou o muro e encontrou a porta aberta. Ao entrar no imóvel, localizou Ana Paula morta em um quarto nos fundos. Elton acionou a motolância do Samu, que confirmou o óbito no local.
A Polícia Militar iniciou buscas pelo assassino, que fugiu de bicicleta logo após o crime. Imagens de câmeras de monitoramento mostram o homem deixando a casa por volta das 9h. Ele segue pela rua Peru, vira à esquerda na rua Paquistão, depois entra na rua Paraguai e segue em direção à avenida Palestina.
Até o momento, o acusado do crime não foi encontrado. A Polícia Civil investiga o caso, com apoio da Polícia Militar, e trata o crime como feminicídio. Esse é pelo menos o sexto feminicídio deste ano em Santa Catarina.
SC fora do pacto nacional de enfrentamento ao crime
Santa Catarina ficou fora do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, lançado pelo governo federal no início de fevereiro. Em 2025, o estado registrou 52 feminicídios e 225 tentativas, segundo dados do Ministério da Justiça. O número coloca Santa Catarina como o quinto estado com maior número de tentativas de mortes de mulheres no Brasil.
Mesmo com o aumento dos casos no ano passado, o governador Jorginho Mello (PL) não aderiu à iniciativa, que foi lançada no dia 4 de fevereiro pelo Ministério das Mulheres e reúne executivo, legislativo e judiciário, com articulação entre União, estados e municípios.
O pacto que tem o lema “Todos por todas”, quer reduzir a violência letal contra mulheres e meninas por meio da integração de políticas públicas, troca de informações e fortalecimento de ações preventivas. Entre os eixos estão prevenção, proteção, responsabilização de agressores e garantia de direitos às vítimas.
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina aderiu ao pacto, mas afirmou que não comentará a negativa do governo do estado. “Em atenção ao princípio da independência dos poderes, não cabe ao poder judiciário comentar decisões do poder executivo”, informou o TJ, em nota.
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A assessoria da Alesc informou que o legislativo catarinense ainda não aderiu ao pacto. Já o governo de Santa Catarina não respondeu aos questionamentos do DIARINHO sobre os motivos para ficar fora do pacto.
Franciele Marcon
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
