DESPEDIDA

Velório de Isabela será sábado na capela do Salesiano

Adolescente de 17 anos, morta pelo pai em novembro, será cremada em Itajaí

Isabela será velada na escola onde estudava desde 2015 (Foto: Arquivo)
Isabela será velada na escola onde estudava desde 2015 (Foto: Arquivo)

Dois meses após ser sequestrada e assassinada, Isabela Miranda Borck, de 17 anos, será velada e sepultada em Itajaí. A cerimônia de homenagem e despedida será neste sábado, na capela do colégio Salesiano, no centro de Itajaí, onde ela estudava desde 2015. O funeral será das 8h às 14h, com cremação no Crematório Athenas.

Na formatura da turma do Terceirão, em dezembro do ano passado, os colegas de Isabela já tinham feito uma homenagem emocionante. “É impossível, nesta fala para os amigos, não dedicar um momento para lembrar de nossa querida Isabela Miranda, nossa Izy. Nossa felicidade hoje não é completa, porque ela deveria estar aqui conosco. Por isso, trazemos você para perto, Isa, por meio destas palavras. Quietinha, mas sempre observadora, você nos mostrou que a calma esconde grandes aventuras. Em cada detalhe nas histórias de RPG, nos desenhos lindos que criava, verdadeiras obras de arte, víamos o universo criativo e gigante que você carregava dentro de si. Isa, esta formatura também é sua. Sentimos profundamente a sua falta. Aprendemos a acreditar ainda mais no poder da oração, e nossas famílias seguirão rezando por você”, diz um trecho do texto publicado nas redes sociais.

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Isabela desapareceu em 30 de novembro, quando foi levada de casa, no bairro Fazenda, em Itajaí. O corpo de Isabela foi encontrado no dia 16 de janeiro, em uma área de mata no município de Caraá, no interior do Rio Grande do Sul, próximo da casa onde o pai da adolescente morava. A.B., de 53 anos, apontado como autor do crime, não confessou o assassinato. Ele alegou que a filha morreu em um acidente — versão que não é sustentada pela investigação da Delegacia de Homicídios de Itajaí, que trata o caso como feminicídio.

O crime teria sido motivado por vingança, já que A.B. havia sido condenado a 16 anos de prisão por estupro contra a filha, quando ela era criança. Os abusos vieram à tona em 2023, após relatos feitos por Isabela durante sessões de terapia. A condenação saiu duas semanas antes do desaparecimento da menina.

No dia do sequestro, o pai foi visto em Itajaí. Madalena, mãe da adolescente, está separada de A.B. há três anos. Ele foi preso em 19 de dezembro, em Maracaju (MS), e agora está aguardando julgamento no cadeião de Canhanduba.

No depoimento dado a polícia na semana passada, A.B. alegou que veio a Itajaí para "buscar esclarecimentos" sobre o que considerou uma injustiça na condenação. Segundo ele, o plano era surpreender Isabela e a mãe durante a madrugada para discutir a condenação. A Polícia Civil, no entanto, sustenta que a intenção do homem era matar mãe e filha.

Já segundo a versão de A.B., o objetivo era levar Isabela e a mãe até o Rio Grande do Sul para conversar sobre o caso. Ele disse que chegou na sexta-feira, ficou escondido em uma rua nos fundos da casa e entrou por uma área de mata para não ser percebido pelos vizinhos. Como a mãe de Isabela saiu para trabalhar, a tentativa de abordagem da mãe falhou. Como ele conhecia a rotina da ex-esposa, decidiu esperar até o fim de semana. Mas, com uma troca inesperada de plantões, a mulher novamente não estava em casa. Nesse cenário, ele levou apenas Isabela.

O pai contou que abordou a adolescente enquanto ela descia uma escada externa e a levou até o carro, estacionado em uma rua próxima, perto de uma área de vegetação. Disse que usou um taser (arma de choque) para ameaçar Isabela e impedir que gritasse. Já dentro do carro, ela teria tentado fugir. Ele disse que usou novamente o taser para imobilizá-la e a amarrou antes de seguir viagem.

A Polícia Civil confirmou que havia no veículo equipamentos de choques. Ele afirma que Isabela não reagiu durante o trajeto. No relato do acusado, Isabela teria fugido quando chegou no Rio Grande do Sul para uma área de mata e ele teria dificuldade para alcançar a adolescente. Ele afirmou que procurou por horas até encontrá-la caída, já sem vida, após ter sofrido um acidente ao cair em um buraco. Depois disso, disse que entrou em desespero e decidiu esconder o corpo sob pedras.

A polícia só chegou ao local depois que o investigado indicou a área. O corpo foi encontrado a aproximadamente 200 metros da casa onde o pai de Isabela morava. O corpo foi colocado dentro de um buraco, coberto e escondido sob pedras, com isolamento com lona para dificultar o acesso visual e o cheiro. A polícia não acredita na versão do homem e trata o caso como feminicídio motivado por vingança. “Tudo indica que o plano inicial era ceifar a vida de ambas (mãe e filha)”, afirmou o delegado Roney Péricles, responsável pelo inquérito policial.

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