Vivemos em um tempo em que nos cobramos metas, conquistas, produtividade e automelhoria. A cada novo ano, surgem listas de hábitos “do bem” a adotar. Mas talvez a pergunta mais relevante que podemos fazer em 2026 não seja “o que devo fazer?” e sim “o que devo abandonar?”.
Algumas formas de sofrimento nasceram não por aquilo que fizemos, mas por aquilo que continuamos a repetir mesmo quando não nos serve mais. Hábitos como trabalhar até a exaustão sem limites claros, explicar demais as próprias escolhas, priorizar expectativas alheias acima das nossas e reagir automaticamente a pensamentos negativos passam despercebidos no dia a dia, mas consomem energia emocional de forma implacável.
Psicologicamente, esses padrões funcionam como estratégias aprendidas: o que um dia nos protegeu, hoje nos limita. Da mesma maneira que aprendemos um modo de pensar ou de agir, também podemos “desaprender”. Reconhecer que certos hábitos só perpetuam sofrimento é o primeiro passo para recuperar autonomia emocional.
Uma das armadilhas mais comuns é a crença de que uma vida melhor exige desempenho contínuo. A mente entra em um ciclo de tentar compensar, consertar, fazer ainda mais. É como correr em ...
Algumas formas de sofrimento nasceram não por aquilo que fizemos, mas por aquilo que continuamos a repetir mesmo quando não nos serve mais. Hábitos como trabalhar até a exaustão sem limites claros, explicar demais as próprias escolhas, priorizar expectativas alheias acima das nossas e reagir automaticamente a pensamentos negativos passam despercebidos no dia a dia, mas consomem energia emocional de forma implacável.
Psicologicamente, esses padrões funcionam como estratégias aprendidas: o que um dia nos protegeu, hoje nos limita. Da mesma maneira que aprendemos um modo de pensar ou de agir, também podemos “desaprender”. Reconhecer que certos hábitos só perpetuam sofrimento é o primeiro passo para recuperar autonomia emocional.
Uma das armadilhas mais comuns é a crença de que uma vida melhor exige desempenho contínuo. A mente entra em um ciclo de tentar compensar, consertar, fazer ainda mais. É como correr em uma esteira emocional: muito movimento interno, pouco progresso real. Essa sensação de “estou indo a lugar nenhum” se reflete em ansiedade persistente, sono irregular, irritabilidade e sentimento de inadequação mesmo quando tudo parece bem superficialmente.
Abandonar hábitos que nos pesam não significa fazer mudanças radicais da noite para o dia. Significa identificar aquilo que drena nossa energia, questionar crenças antigas e começar a experimentar alternativas pequenas, intencionais e repetidas. Por exemplo: reduzir tempo de tela para ganhar espaço de presença; dizer não sem justificativas; pausar em vez de responder impulsivamente; permitir que o corpo descanse antes da mente.
Na abordagem cognitivo-comportamental, aprendemos que pensamentos automáticos repetidos moldam nossos sentimentos e comportamentos. Quando nos tornamos conscientes desses padrões, abrimos espaço para escolhas diferentes. Esse processo de “desaprender para viver” é uma forma prática de autocuidado muito mais potente do que novos hábitos superficiais jamais serão.
Abandonar o que nos limita é tão essencial quanto adotar o que nos fortalece. Em vez de apenas acumular resoluções e metas, talvez este seja o ano de identificar o que nos sobrecarrega desde dentro: a comparação com outros, o perfeccionismo silencioso, a necessidade de agradar, a pressa emocional. Cada hábito que deixamos ir é um espaço a mais para presença, autenticidade e bem-estar emocional.
Se 2026 for sobre aprender de fato, que seja aprendendo a largar o que não precisa mais ser carregado. Porque a vida acontece no espaço deixado livre, não na bagagem que insistimos em arrastar.