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Por Edison d'Ávila -

CULTOS AFRICANOS EM ITAJAÍ: RESISTIR E SOBREVIVER


As primeiras referências a cultos das religiões de matriz africana em Itajaí vêm do século XIX, mas de forma transversa e proibitiva. Elas estão expressas no primeiro Código de Posturas do Município, do ano de 1868. Nesse código, em dois artigos, 31 e 39,  estavam embutidas proibições e criminalização de  práticas religiosas dos cultos africanos.

A aversão e o preconceito contra o que fosse oriundo da cultura e das tradições dos escravizados negros estavam enraizados na sociedade branca e escravocrata, também daqui. 

Os cultos africanos sempre tiveram forte ligação com a cura de doenças. Benzedeiras, rezadeiras e curandeiros eram presenças comuns nos terreiros de culto. Pois o artigo 31 considerava ...

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A aversão e o preconceito contra o que fosse oriundo da cultura e das tradições dos escravizados negros estavam enraizados na sociedade branca e escravocrata, também daqui. 

Os cultos africanos sempre tiveram forte ligação com a cura de doenças. Benzedeiras, rezadeiras e curandeiros eram presenças comuns nos terreiros de culto. Pois o artigo 31 considerava semelhantes curas “meios supersticiosos”, “embustes” e cominava multas a todo aquele que tivesse tal proceder. Do mesmo modo, pelo artigo 39 ficavam proibidas as reuniões de escravizados ou libertos negros para formarem batuques. Acontece que os atabaques são instrumentos tocados durante o culto.  Eles são imprescindíveis à função religiosa, o que significava dizer que se impediam as aglomerações para cultuar a religiosidade africana.

Tal atitude discriminatória e pejorativa chegou até  o século XX. Em meados desse século, por exemplo,  a imprensa de Itajaí taxou de “macumba” o culto africano que vinha sendo praticado num terreiro de umbanda, que funcionava na Avenida Sete de Setembro, quase na esquina com a Avenida Joca Brandão, reclamou a pronta ação “moralizadora da polícia” para proibir aquelas reuniões, que dizia,  “ilícitas” e considerou mero pretexto, julgar-se “aquela batucada e cantoria exótica” como manifestação religiosa.

A nota do jornal, claramente equivocada, expressava a visão de época da sociedade branca que, mesmo abolida a escravidão negra (ontem, por sinal, completaram-se 133 anos), ainda demonstrava ignorância e preconceito para com a cultura afro-brasileira. A nota, mesmo assim, permite conhecer da resistência e  sobrevivência da religião de matriz africana na cidade.

Aliás, no meio do século passado, dois líderes religiosos dos cultos afro-brasileiros vieram a se destacar em Itajaí e foram responsáveis por sua sobrevivência e expansão na cidade: Maria Lopes Klüser, ou Maria Cartola (1922/2006), e Altamiro José Pereira (1937/2011).

Maria Cartola, alcunha que herdara do marido conhecido por Cartola, mulher negra natural de Florianópolis, em 1953 instalou seu centro de culto religioso no Quilombo, nos altos da Rua Blumenau, um conhecido território negro da cidade. Altamiro, itajaiense,  filho-de-santo e genro da conhecida mãe-de-santo Malvina Ayroso Pereira, também itajaiense,  dona do Centro Espírita São Jorge, de Florianópolis, tornou-se pai-de-santo em 1958 e expandiu a religião afro-brasileira em Itajaí, com vários filhos e filhas-de-santo.

Conhecer essa história se faz necessário para que se valorize a africanidade presente na cultura brasileira, desenvolva-se uma pedagogia interétnica  e se faça a erradicação do racismo em definitivo.


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