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Eduardo Campos e Marina Silva


A comoção ante a morte de Eduardo Campos, em face do que dele se disse e escreveu, fazem-no um personagem mais relevante do que se poderia supor. Não foram somente homenagens de ocasião e estilo, ditadas pelas normas da civilidade, do compartilhamento da dor pela perda. Ele acumulava qualidades e virtudes incomuns. Na política, não se via como um contendor religioso, na luta entre o bem e o mal. Jamais se deixou seduzir pela divisão do Brasil (e do mundo) entre “nós” e “eles”, essa postura tão adequada na política – porque dá bons resultados – porém tão falsa e deletéria.

Como nordestino, bem que poderia ficar lamentando o abandono das massas desvalidas e culpando as “elites”. Não se nutriu do discurso de combate à pobreza. Na sua obra de governo, podia alinhar um conjunto alentado de ações e políticas públicas, que reduziram as mazelas seculares do sertão pobre e da periferia das grandes cidades e modernizaram o estado do Pernambuco. Quando as descreveu, o fez com discrição e elegância, sem descambar para a gabolice, como fez e vem fazendo um famoso conterrâneo dele.

Entendeu que é preciso distribuir com justiça os bens e as riquezas, mas o grande desafio é produzi-las. Para tanto, é preciso o braço do trabalhador, e na mesma medida, a iniciativa e a capacidade de empreendimento dos agentes econômicos.

No governo, Campos tratou com equidade e respeito os aliados, sem cair na tentação do hegemonismo e do aparelhamento do Estado. Foi parte do projeto lulopetista, mas a certa altura se afastou: ficaram evidentes demais as diferenças entre ele e os atuais detentores do poder.

Marina na cabeça

Todos estão ansiosos para saber o que acontecerá na sucessão presidencial sem Eduardo Campos. Até então, o quadro apontava para uma disputa entre Dilma Rousseff e Aécio Neves em segundo turno, com alguma probabilidade de Dilma liquidar a fatura logo no primeiro. Agora, Marina Silva será a cabeça de chapa na coligação liderada pelo PSB.

Na eleição de 2010, Marina teve um desempenho surpreendente, com mais de 20 milhões de votos, contra dois pesos-pesados, Dilma e Serra. Na pesquisa Datafolha da semana passada, feita em meio à comoção pela morte de Campos, o nome dela já aparece à frente de Aécio Neves, embora “empatados tecnicamente”.

As projeções de segundo turno dão a vitória a Marina Silva, tanto se ela disputar com Dilma Rousseff como se o adversário for Aécio – neste caso, com diferença mais folgada. Em resumo, embaralhou tudo. A única certeza é a de que se eliminou de vez a hipótese de uma vitória em primeiro turno, tão sonhada pelo PT.

Neste primeiro momento, quem mais perdeu foi Aécio Neves, que crescia devagar e ocupava sozinho e distanciado a segunda posição nas pesquisas. Mas esta enquete do Datafolha, no calor da emoção pela morte de Campos e, principalmente, antes do horário eleitoral, está longe de captar todas as variáveis que, ao final, prevalecerão nas urnas. Tem muita água para rolar debaixo da ponte. Preparem o coração: muitas emoções ainda nos estão reservadas.


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