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Terrorismo


Tudo é estarrecedor no massacre do Charlie Hebdo. A imagem do terrorista explodindo com uma rajada de balas a cabeça do policial caído, imobilizado, braço levantado em súplica, para que o homem não apertasse o gatilho, ficará gravada para sempre, como exemplo de crueldade, covardia e fúria insana.

Com certeza, o instinto da besta também se manifestou nos demais assassinatos. Mas estes nós não vimos. O que está diante dos nossos olhos para ver e rever, é o vídeo do homem munido de uma máquina de matar, e o outro em gesto desesperado, pedindo que não fosse fulminado. Não estaria a vítima no chão, impotente, querendo dizer no último suspiro que era - como os seus torpes assassinos - também ele um seguidor do Profeta, um muçulmano?

Todo ato terrorista é crime hediondo e covarde. Todo ato terrorista é um crime contra as vítimas que atinge, fere e mata, a mulher inocente, a criança no esplendor da infância, o transeunte que estava no lugar errado e na hora errada. Todo ato terrorista é um crime contra a humanidade.

Não, não estamos falando de fé religiosa. Não pode ser coisa de Deus o ditame tresloucado de que eliminar os ímpios é virtude santa, heroica, capaz de levar jovens tolos e desgraçados ao assassinato de inocentes, ao ódio destrutivo e ao martírio, sob a promessa da glória em vida futura, na presença do Profeta, e das tantas virgens que lhes concederão em prêmio, para seu deleite e prazer na eternidade.

Não, não é política. Esta, pressupõe o esforço de ganhar adeptos, aumentar o número de simpatizantes, convencê-los de que a causa serve os propósitos mais justos da comunidade, da pátria e do mundo. Mas que tipo de pessoa se comoverá, a ponto de aderir, com a prática da chacina, do ataque traiçoeiro e covarde?

Há quem veja no morticínio uma resposta, algo a justificar o menosprezo, a desconfiança que o mundo ocidental devota aos muçulmanos, aos povos diferentes que emigram do Terceiro Mundo pobre para a Europa afluente e rica. Sim, existe o racismo, o preconceito, na França e em outros países europeus. Porém, no pacto nacional e comunitário da Europa democrática, as manifestações e práticas racistas são amplamente rejeitadas, e reprimidas com rigor. Como deixou claro o presidente François Hollande, a chacina do Charlie Hebdo foi perpetrada por fanáticos, que nada têm a ver com a religião muçulmana.

É certo: os milhões de imigrantes da Europa Ocidental ou dos Estados Unidos não desfrutam do mesmo padrão de vida de europeus e americanos. Mas apesar de todas as dificuldades, eles – os imigrantes - têm consciência clara de que vivem com mais dignidade nos países que os acolheram, do que nos seus países de origem.

Quanto aos “exageros” do Charlie Hebdo, todos nós temos o direito de repelir o texto, a charge, a sátira ali publicada. Mas é preciso ser um psicopata para se incomodar a ponto de assassinar os seus autores.

O terrorismo é uma doença insidiosa, uma disfunção psicótica, uma distorção moral, uma exibição mórbida de fúria destrutiva. É erro fatal querer vislumbrar nele algum resquício de razão ou justificativa.


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