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Flavio Perez é profissional de marketing e jornalista há mais de 25 anos. Especialista em esportes olímpico. Lidera a agência On Board Sports. Foi manager da The Ocean Race


Atleta olímpico brasileiro conta os detalhes da fratura exposta em regata na Espanha


Publicado 13/04/2019 12:12

O atleta olímpico Samuel Albrecht contou os detalhes do acidente durante o Trofeo S.A.R Princesa Sofia

O velejador, que faz dupla com Gabriela Nicolino na classe Nacra 17, teve uma fratura exposta no indicador da mão direita na regata final de Palma de Maiorca, na Espanha. O acidente fez com que o atleta gaúcho passasse por uma cirugia de emergência ainda nas ilhas baleares. Samuel Albrecht já está no Brasil e segundo os médicos, os movimentos estão preservados. ''Quando peguei na ferragem para subir no barco, meu dedo prendeu, porque o leme girou e guilhotinou meu dedo. Assim que subi no barco, meu dedo tava pendurado e com o osso para fora. Foi uma fratura exposta'', disse Samuel Albrecht. A dupla não vai disputar a Copa do Mundo da World Sailing (Federação Internacional de Vela) de Gênova, na Itália. O evento começa na segunda-feira (15). Na etapa anterior, em Miami, nos Estados Unidos, Samuel Albrecht e Gabriela Nicolino ficaram em segundo lugar na Nacra 17. Os dois garantiram vaga do Brasil em Tóquio-2020 na classe. Samuel Albrecht, além das classes olímpicas, corre de oceano. Em 2018, o atleta foi o tático do Crioula, campeão e recordista da Semana de Vela de Ilhabela

Leia a entrevista na íntegra

A bordo: Como está a sua recuperação após o acidente? Samuel Albrecht: “A recuperação vai bem. Já estou no Brasil, em Porto Alegre. Ainda estou tomando medicação: alguns antibióticos e analgésicos. Mas o trabalho no Espanha foi bem feito. Aqui nós fizemos uma revisão apenas com o médico. Ele constatou que está tudo bem e agora é esperar cicatrizar a ferida e a fratura. E esperar duas ou três semanas para voltar a tentar entrar na ativa”. A bordo: Como ocorreu o acidente? Samuel Albrecht: “Nós fomos para o último dia de regata do Troféu Princesa Sofia. Eram condições tranquilas de velejar. No máximo 12 nós e um pouco de onda. Condição tranquila e vínhamos fazendo uma grande regata. Estávamos em segundo lugar e com larga vantagem. Momentos antes do jibe, alguma coisa bateu no leme do barco e fez com que eu perdesse o controle do barco. Rapidamente nós giramos e fomos arrastados para fora do barco. Tentamos nos aproximar perto do barco para desvirar. Nessa aproximação, eu fiquei perto da popa e me agarrei ao leme. Quando cheguei com as mãos ali estava muito frio. Quando peguei na ferragem para subir no barco, meu dedo prendeu, porque o leme girou e guilhotinou meu dedo. Assim que subi no barco, meu dedo tava pendurado e com o osso para fora. Foi uma fratura exposta. Imediatamente pedimos socorro. Um barco do campeonato nos ajudou. Eu me atirei na água com o dedo para cima. Me colocaram no bote começaram a tirar todas as minhas roupas. Estancaram o sangue e imobilizaram minha mão. Ali me aplicaram uma injeção de anti-inflamatório e calmante. Dali eu fui para ambulância e depois hospital. Lá fiz uma cirurgia corretora, que foi um sucesso. Por lá alinhamos o osso e costurar o corte. Foram três dias de hospital sob supervisão, porque o medo era uma possível infecção, mas deu tudo certo”. A bordo: Você chegou a temer pela Olimpíada? Samuel Albrecht: “Não temi pela Olimpíada. Na hora minha preocupação não era com a ferida. Era sim com a regata perdida e o resultado do campeonato. Era um dia que estávamos convencidos a arriscar mais e puxar mais o ritmo, para ajustar os problemas da semana. Estava um ótimo resultado. Não cumprir aquela tarefa foi o mais desanimador. Depois outro sentimento que fica é de se dedicar tanto, com a família toda vendo, e com uma programação completa, de ficar um tempo na Europa. Acaba que tudo vai por água abaixo”. A bordo: Como está a sua recuperação após o acidente Samuel Albrecht: “O campeonato foi de enorme aprendizado, apesar do resultado não ter sido bom. Recebemos muito material lá, como velas, na qual experimentamos as coisas e testamos nos treinamentos. Nós estamos definindo o material que vamos levar para o Japão, onde terá o evento-teste. Procuramos experimentar o mastro, porque antes estava bastante torto. Tínhamos dúvida da qualidade. Montamos um novo eu e a Gabi. Ficou reto e bem alinhado. Acreditávamos que o mastro era igual ao dos outros e decidirmos correr o campeonato com esse novo mastro. Ele pareceu um pouco mais mole e isso prejudicou nossa evolução. Foi uma competição de aprendizado. Experimentamos novas velas e mastros, isso foi muito válido” A bordo: E como vocês estavam no Princesa Sofia Samuel Albrecht: “Tecnicamente evoluímos nas regatas de vento forte, apesar dos resultados não terem sido bons. Tivemos alguns azares. Duas viradas e uma que perdemos o controle do barco. Na regata seguinte deu um jibe na nossa frente e pra não bater nele fizemos uma manobra de segurança e batemos nele. Terceira regata do dia ficamos em 11º. E estavam condições duras de vento. Serviu para criar parâmetros para regatas de vento forte. Antecipar ações foi o principal. Para termos tempo de reação e velejarmos de forma segura. Se ficar muito tempo sem competir nesse estilo, perde o ritmo. Os barcos exigem respostas mais rápidas”. A bordo: E quais são os próximos passos? Samuel Albrecht: “Esses testes dos mastros, dos cenários foram pontos importantes. Acredito que nós teríamos um último bom dia. Estávamos bem. Acho que encontramos nossa melhor performance e agora é trabalhar para se recuperar para etapa de Marselha, que será a final da Copa do Mundo na França. Será daqui a sete semanas”.

 


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