Publicado 28/01/2019 09:03
Claro que não vou repetir o que está sendo dito sobre o desastre terrível do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, que soterrou vidas, sonhos, esperanças e provocou mais um desastre ambiental, que ia dizer “sem precedentes”, mas que teve, claro, precedentes. Vide Mariana, três anos atrás. Indignação Vou por outro caminho. O meu sentimento é o sentimento de grande parte dos brasileiros que juntam cré com lé, e se sentiram impotentes, frustrados, indignados com mais essa tragédia tendo como protagonista uma empresa que já foi orgulho nacional. Recordar é viver A Vale do Rio Doce foi fundada por Getúlio Vargas em 1942 como moto propulsor para industrializar o Brasil, o primeiro país de terceiro mundo a fabricar aço. Getúlio conseguiu a façanha com os americanos em troca de entrar na Segunda Guerra a favor dos aliados e permitir a construção da base aérea de Natal, fundamental para a estratégia de guerra dos que lutavam contra Hitler. Progresso Os minérios explorados pela Vale do Rio Doce possibilitaram à Companhia Siderúrgica Nacional produzir o aço que impulsionou o início da industrialização brasileira nos anos de 1950 e que, depois, ganhou o exterior, a partir dos anos 60, transformando a empresa na maior mineradora do mundo pelas décadas seguintes. FHC Em 1996, o governo FHC resolve privatizar a Vale do Rio Doce. De acordo com parte dos recortes da época, subfaturada e com financiamento do BNDES. Resultado: de uma hora pra outra, um dos orgulhos nacionais virou uma empresa privada. Ponto. E salve o liberalismo econômico. Primeira morte do Rio Doce Em 2006, a Vale do Rio Doce, mudou de nome, e passou a ser chamada apenas de Vale, provavelmente pra ficar mais fácil (e menos poético) para os fodões do mercado financeiro internacional e das Bolsas de Nova Iorque e caterva entenderem. Segunda morte do Rio Doce A segunda morte do Rio Doce aconteceu há 3 anos atrás, com o rompimento de uma barragem de dejetos de mineração no município de Mariana, também em Minas, que destruiu de fato o Rio Doce, que dava nome à companhia antigamente, e que trouxe morte, destruição e desastre ambiental para aquela região. Agora de novo Agora a tragédia se repete em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. O que dizer, além do que está sendo dito e prometido? E que são as mesmas coisas já ditas e prometidas três anos atrás? O quê, do que está sendo dito, se pode acreditar? É digno de fé, além da indignação? Acho que nada. Resumo Era uma empresa orgulho do Brasil, feita com recursos e riquezas do Brasil, dos brasileiros, que foi privatizada e rapidamente retalhada, suas ações ganharam mundo, virou empresa de capital aberto, mudou o nome lindo, agora responde a seus acionistas, e, nos últimos três anos, é responsável por duas tragédias humanas e ambientais que chocaram o país . Pergunta Sobrou alguma coisa do Brasil e dos brasileiros na Vale, além dos mortos, das perdas é danos? Acho que não muito. Tudo bem, dá emprego. Já dava antes. Tudo bem, é uma das maiores empresas do mundo. Já era antes. Sobrou o quê? Acho que essa pergunta é pertinente diante da nova onda de privatizações que vem por aí. Para que a tragédia ensine, enfim, talvez, alguma coisa. O que você acha? Foto (Divulgação)
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Publicado 23/03/2026 19:48