Na quarta-feira da semana que vem, dia 9, ocorre a Plenária Geral dos Entregadores, que avaliará os impactos da mobilização nacional e decidirá os próximos passos do movimento. Até lá, segundo o Comando Nacional do Breque dos Entregadores 2025, os motoboys estão orientados a manter a pressão contra as plataformas.
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As diretrizes pedem que os entregadores rejeitem corridas abaixo de R$ 8, exceto no caso de entregas com bikes, que devem atender pedidos até três quilômetros.
Os motoboys também devem rejeitar agrupados, que aumentam o trajeto sem um aumento justo no pagamento.
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Os entregadores ainda poderão fazer paralisações pontuais, organizadas pelo comando.
Na manifestação nacional de segunda e terça-feira, a categoria conseguiu a adesão de milhares de entregadores e apoio de entidades e movimentos sociais. Em diversos estados, restaurantes relataram quedas de até 100% nos pedidos via delivery, usuários dos apps enfrentaram atrasos de horas e grandes cidades tiveram “apagões” de entregadores.
Apesar da demonstração de força da categoria, as empresas não responderam às reivindicações, entre reajuste da taxa mínima de entrega, aumento do valor pago por quilômetro rodado e pagamento integral da taxa por pedido em entregas agrupadas.
“Nenhuma das empresas de aplicativo se pronunciou sobre a paralisação ou abriu qualquer diálogo com os trabalhadores. O silêncio delas deixa claro que a indignação da categoria não vale mais do que os lucros bilionários que acumulam explorando o trabalho dos entregadores”, lamentou o comando nacional.
Além de ignorar as pautas, as plataformas teriam adotado uma série de práticas pra tentar desmobilizar a greve. Entre elas, promoções e incentivos falsos, cadastramento emergencial pra novos entregadores, ameaças de bloqueio dos grevistas na plataforma e monitoramento das redes sociais e de grupos de WhatsApp, tentando enfraquecer a mobilização com desinformações.
iFood diz que entregadores já têm bons ganhos e reajustes acima da inflação
Em nota oficial, o iFood, principal plataforma de entregas do país, afirmou que analisa a viabilidade de reajuste nas taxas pra 2025, a depender do cenário econômico. No entanto, a empresa entende que reajustes desde 2022 garantiram o aumento de ganhos dos entregadores maior que o do salário mínimo.
“O ganho bruto por hora trabalhada hoje no iFood é quatro vezes maior do que o salário mínimo-hora nacional. De 2022 até 2024, os ganhos líquidos médios por hora trabalhada na plataforma são mais do que o dobro do que o salário mínimo-hora (2,2 vezes)”, informou, com base em custos estudados em pesquisa de 2023.
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A empresa diz ainda que está aberta ao diálogo com os entregadores. Na segunda-feira, o iFood recebeu representantes dos manifestantes na sua sede, em Osasco (SP).
A empresa prometeu dar retorno sobre as reivindicações da categoria, após análise pela diretoria. Na prática, o grupo saiu da reunião frustrado, sem data para uma resposta e ou nova reunião.