Credibilidade e Legitimidade política se tornaram elementos desafiadores na gestão da imagem e identidade de candidatos. O cenário se torna extremamente complexo pela emergência das mídias sociais. As redes sociais redefiniram o ambiente comunicacional. As instituições-fontes de informação e interpretação dos fatos relevantes viram a diluição de seus poderes diante da multiplicação de emissores, da reavaliação dos conteúdos, da fragilização conectiva entre fato e interpretação de fato. Tudo o que se expõe em redes sociais será constantemente avaliado, julgado, reconfigurado, recortado. Fatos temem as manipulações dos humanos.
Os agentes políticos serão constantemente falados e “ameaçados” pela força dos manejos e adulterações do que se diz sobre o que houve. O Discurso Político não se restringe a defender ideias. O contexto civilizacional requer a construção de orientações para interpretação dos fatos, parâmetros que deem lógica às conclusões desejadas e a entrega de substâncias emocionais aos julgamentos e aos julgadores.
Discurso Político eficiente é composto por racionalidade lógica, condições de interação emocional e credibilidade pessoal. Somente racionalidade lógica produz frieza e distanciamento; se isolar em emocionalidades gera inclinação populista que sempre se esvazia; se consumir na credibilidade pessoal como legitimidade suficiente é ficar distante da velocidade das interpretações dos acontecimentos. O sistema comunicacional – que menos depende do fato do que da interpretação pessoal [fortemente influenciada por algoritmos e ‘efeitos especiais’], vive em tensão permanente. Tudo pode mudar a qualquer movimento.
A Competência Discursiva se forma na integração da produção do discurso, da veiculação e nos parâmetros de recepção da mensagem [em sua maioria audiovisual – antes os olhos a ver do que ...
Os agentes políticos serão constantemente falados e “ameaçados” pela força dos manejos e adulterações do que se diz sobre o que houve. O Discurso Político não se restringe a defender ideias. O contexto civilizacional requer a construção de orientações para interpretação dos fatos, parâmetros que deem lógica às conclusões desejadas e a entrega de substâncias emocionais aos julgamentos e aos julgadores.
Discurso Político eficiente é composto por racionalidade lógica, condições de interação emocional e credibilidade pessoal. Somente racionalidade lógica produz frieza e distanciamento; se isolar em emocionalidades gera inclinação populista que sempre se esvazia; se consumir na credibilidade pessoal como legitimidade suficiente é ficar distante da velocidade das interpretações dos acontecimentos. O sistema comunicacional – que menos depende do fato do que da interpretação pessoal [fortemente influenciada por algoritmos e ‘efeitos especiais’], vive em tensão permanente. Tudo pode mudar a qualquer movimento.
A Competência Discursiva se forma na integração da produção do discurso, da veiculação e nos parâmetros de recepção da mensagem [em sua maioria audiovisual – antes os olhos a ver do que o raciocínio a refletir]. O Discurso Político não se faz e nem é visto como reflexo da realidade ou como originalidade informativa. Mais do que ser “verdade”, este Discurso organiza caminhos para a recepção dos conflitos políticos, do que é relevante, das urgências para o futuro próximo, das emergências sobre o bem-comum.
Ser inteligente e competente é insuficiente para a legitimidade política. A forma de se apresentar, os verbos e as recorrências verbais utilizadas, as métricas de impulsos e o domínio dos atos de fala, as colorações emocionais, a postura do olhar e do corpo, a racionalidade lógica, as roupas/cor dos olhos/ambiente, iluminação, ângulo de tomada da imagem... tudo isso forma e reforça os vínculos com a recepção – é a mensagem. A recepção dos fatos se estabelece pela performance e estilos adotados perante o complexo para a legitimidade. Mensagem e recepção resultam na comunicação.
Ethos [caráter moral definido por hábitos e valores], Logos [caráter racional do discurso] e Pathos [experiência emocional da compreensão e percepção do mundo], segundo Aristóteles [A Retórica] são condições necessárias à persuasão. São fundamentais ao Discurso Político que possam entrelaçar condições racionais, emocionais e de empatia. São fonte de Credibilidade. E nas condições de interação por meio das redes sociais, mobilizar audiência é muito mais do que ter “milhares de seguidores” e “milhões de visualizações”. Mobilizar audiência requer a construção e monitoramento da legitimidade política.
Num mundo de comunicação por meio volátil, de conteúdos que se comprimem em recortes para gerar interpretações orientadas por interesses, a longa construção de credibilidade se perde em segundos. A reputação se assenta em ambiente vulnerável e a comunicação é o fundamento de resistência.
O caso Vorcaro-Flávio Bolsonaro é um exemplo recente sobre como crises se mostram como situação-limite de credibilidade diante do desabamento da segurança moral e confiabilidade política. A resposta a esta “crise de personalidade” foi firmada em banhado, com comportamentos fragmentados, conteúdos de discurso incoerentes em escala temporal, e variação de protagonista com mesmo sobrenome. O que se constrói em anos se perde em tropeços.
Mestre em Sociologia Política