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Cambucá


Volto a falar do enorme e único pé de cambucá que conheci quando menino, em Corupá, e que povoou toda a minha vida. Não vi outra árvore como aquela, no decorrer desses anos.

O pé de cambucá é um marco na minha infância, pois sempre esperei encontrar uma outra árvore com aquela fruta de sabor único, de textura única, que se parece um pouco com pêssego, mas é só um pouco e só na aparência. Pensei nunca mais encontrar um cambucazeiro, parecia que eles se escondiam de mim ou pior – pensei que eles não existem mais.

Mas eu nunca esqueci aquela árvore majestosa, enorme cambucazeiro com uns 10 metros de altura. Ficava na casa de um vizinho, na Plantagem, e nós íamos lá quando os cambucás estavam maduros. Os vizinhos deixavam, e a gente subia e subia naquela árvore gigantesca e apanhava os frutos amarelos e duros por fora, mas suculentos por dentro, com uma semente dura e lisa, talvez do tamanho de uma semente de pêssego. O tamanho da fruta também regulava com o tamanho de um pêssego grande, só que era redonda. A polpa não tinha separação da casca, então a gente abria a fruta com os dentes, tirava a semente e comia a parte macia até chegar na parte mais resistente.

O pé de cambucá deve ser parente da jabuticabeira, pois as flores e os frutos dão direto no tronco e nos galhos, e o sabor é até um pouquinho parecido, mas é característico, só dele, porque é agridoce, ácido.

Andei procurando numa das minhas idas a Corupá e encontrei um pé de cambucá ainda jovem, na casa de uma tia. Também encontrei um cambucazeiro já grandinho na casa do meu amigo escritor Flávio José Cardozo, em Santo Antônio de Lisboa, na ilha. Há uns dois anos fui à casa dele quando os cambucás estavam maduros, e ele me presenteou com vários frutos. Neste verão, irei visitá-lo para subir naquele belo pé de cambucá e brincar de ser menino de novo. E voltar a sentir o sabor da infância.


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