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Mais do mesmo


A vitória de Dilma Rousseff é daquelas em que o vencedor sai mais fraco da batalha do que quando entrou. As oposições, PSDB à frente, se robusteceram no embate. Os adversários agora se previnem e abrandam os efeitos das surradas táticas de campanha, dos velhos truques que vão ficando para lá de manjados e perdem força.

O método é sempre igual: os governos do partido adversário são sistematicamente demonizados, e seus feitos desmerecidos e deformados. Cola-se neles a pecha de governos das elites, dos ricos, que olham com desdém e desprezam os pobres. Na mesma proporção inflam e sacralizam as suas próprias realizações. É teoria fácil de ser vendida e de ser comprada pelo eleitor ingênuo e dependente.

No futuro, se apela para a ameaça, assustadora e cruel, de que se “eles” ganharem, os benefícios que recebem, como o Bolsa Família, serão extintos. Marina Silva que o diga. No primeiro turno, com todo o seu passado de coerência e luta, de repente se transformou em bruxa má, que iria tirar comida da mesa dos brasileiros e desviar dinheiro da educação, e coisas assim, tudo para o fim sórdido de favorecer seus novos aliados banqueiros. Com Aécio Neves não foi diferente. Nas últimas semanas da campanha, de 22 peças de propaganda do PT no horário eleitoral , 19 eram para assacar infâmias contra a reputação do candidato.

Mas afora a pancadaria habitual e esse discurso do “nós” contra “eles” o que sobra? A presidenta, faz um bom tempo, não cumpre expediente no palácio – não resisto à tentação de dizer que talvez até tenha sido bom para o país. Agora, exaurida na campanha, terá de retornar ao trabalho. Mas em que direção? De que forma e modo ela vai resolver os problemas do país, se para ela tudo está bem e os problemas não passam de uma invenção diabólica das oposições, da imprensa?

Agora, será necessário e urgente enfrentar com firmeza o desequilíbrio das contas públicas, a economia estagnada, a inflação indócil. Os preços represados da luz, da gasolina e dos transportes públicos, terão que ser revistos, para cima, sob pena de ocorrer um descontrole crítico, de dimensão venezuelana. Nessa hora, de nada valerá o discurso dos pobres, do nós contra eles.

Já não há coelhos na cartola. O descompasso das finanças do Estado provoca a alta dos juros. O descontrole gera mais inflação. Uma saída seria despertar o ânimo e a disposição de investidores e agentes econômicos. Mas Dilma e o PT não confiam no mercado e este retribui com a mesma moeda, um pé atrás com Dilma e o PT.

O cenário provável é o do “mais do mesmo”, a gestão medíocre, o improviso, a conversa fiada dos PACs, das obras de infraestrutura que mal saem do papel. Seguirá imutável a opção do consumo ao invés da poupança, o privilégio do gasto sobre o investimento, a ênfase na distribuição da renda e o desapreço com a produção econômica, como se uma coisa pudesse existir sem a outra.

De quebra, a presidenta vai ter outra grande dor de cabeça, citada que foi (junto com Lula) pelo doleiro Alberto Youssef nas falcatruas da Petrobras, que não são poucas nem pequenas. O quadro não é bom para o Brasil e nem para Dilma.


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