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Decepção amorosa e suicídio


Essa é uma história de ficção, mas baseada em diversos relatos de clientes. Se passa num shopping, cinco horas da tarde de uma sexta-feira, com bastante movimento na praça de alimentação.

Lá está uma jovem de 19 anos, pensativa e arrasada pelo término do namoro. Era a terceira vez que acontecia em menos de dois meses. Dessa vez o namorado despejou toda a culpa das desavenças em cima dela. Apontou o quanto ela era mimada, egocêntrica e exigia demais dele. Fez isso com cruel frieza. Virou as costas e a deixou só no meio de uma multidão, que não vê ninguém, apenas vitrines e seus próprios interesses.

Por duas horas lembrou de quando morava numa cidade pequena do interior, onde todos se conheciam, mas nessa época ela já se sentia sozinha. Não queria ser igual aos seus pais, que tinham muitos amigos, mas eram frios entre eles e com os filhos. Nada a faltava, mas ao seu ver não teve amor na sua educação e sim, muita exigência.

Lembrou em detalhes o que viveu na sua infância e depois com o namorado, o quanto ela sentia-se acolhida e amada. Pensou que não encontraria mais ninguém como ele e sua tristeza foi tão grande que o sentimento de abandono se ampliou ao infinito. O desamparo tomou conta do seu ser e a desesperança inundou sua consciência. Ela não viu mais sentido em continuar viva.

Na verdade, não queria ter que explicar que novamente tinha dado errado um namoro. Não queria escutar que, agindo do seu jeito, ninguém iria ficar com ela. Para não deixar ninguém mais se aproveitar dela, como considerava que os pais lhe exploraram. Ao mesmo tempo mostrava uma fragilidade, tanto que ao acumular funções e não se sentir apoiada, passava a dedicar-se ao máximo, pois não aceitava o fracasso. Mantinha o foco nas tarefas até esgotar. Tanto que um ano antes dessa tarde no shopping tinha entrado em depressão.

Esse namoro foi de uma aposta muito grande. Tinha expectativa de ter encontrado a pessoa que iria compreendê-la, entenderia suas necessidades e lhe apoiaria nos seus afazeres e projetos. O término foi um golpe muito forte.

Nos últimos 15 minutos passou a lembrar e a sentir as “coisas ruins” da depressão. Levantou com náuseas e caminhou em silêncio até o vão central do quinto andar. Junto as lojas mais caras, ultrapassou a mureta de vidro, apoiou-se na ponta da laje, se inclinou para frente e deu um passo se projetando para o vazio.

Um pouco mais de dois segundos foi o suficiente para percorrer os 20 metros que a separavam do solo e finalizar com 19 anos de esperança e projetos para toda uma vida.

O seu futuro foi encerrado no momento em que o estrondo da queda ecoou até a praça de alimentação e, por um momento, interrompeu o lanche de alguém que nem soube o que aconteceu. E esse tempo já não mais a pertencia.

Preste atenção em seus familiares e amigos em depressão, procure identificar desesperança nos discursos. Pois é muito mais sério que a tristeza, as dores e as lamentações que aparecem no dia-a-dia. A desesperança mata.


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