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Coluna Fato&Comentário

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Edison d´Ávila é itajaiense, Mestre em História e Museólogo, mestre em Cultura Popular e Memória de Santa Catarina. Membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Itajaiense de Letras e da Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí. É autor de livros sobre história regional de Santa Catarina

Cabotagem, marinheiros e boemia em Itajaí


O memorialista Juventino Linhares conta que, nos anos finais do século  XIX e primeiros do século XX, Itajaí não passava de uma aldeia de pescadores e, pode-se dizer também, de portuários e marinheiros. Vivia-se em função do porto e muitos, de pesca.

As principais firmas daqui, que movimentavam a navegação de cabotagem, costeira  - aquela feita entre portos brasileiros,   eram Liberato, Malburg, Asseburg, Konder e Bauer. Todas tinham  navios de grande porte que transportavam principalmente madeira para os portos de Santos e Rio de Janeiro. O primeiro desses navios conhecido fora o palhabote “7 de Abril”, do tenente-coronel Agostinho Alves Ramos, veleiro que fazia aquela linha já nos anos de 1830/1840. Outros,  foram os veleiros “Almirante” e “Guilhermina”, da firma Liberato; dentre aqueles pertencentes à frota da Malburg estavam “Emília”, “Ramona”, “Gertrudes”, “Adélia”; à casa Konder pertencia o veleiro “Vieira” e à firma Bauer os veleiros “Rudi” e “Tigre”. Depois vieram os vapores, cujos nomes deixam de ser citados para não encompridar demais o artigo.

O vapor “São Lourenço” inaugurou em 1874 o transporte de passageiros entre Itajaí,  os outros portos catarinenses, e ainda Paranaguá,  Santos e Rio de Janeiro. Ele tinha uma tripulação de quatorze marujos e transportava cinquenta e quatro viajantes. Anos depois, ficaram famosas na cidade as chegadas e despedidas  de passageiros do vapor “Aspirante Nascimento”.

Marinheiros e comandantes, alguns estrangeiros, porque a carga e a descarga eram demoradas e seus navios permaneciam várias semanas no porto, acabavam por se tornar populares, recebiam apelidos e muitos se fixaram definitivamente na cidade constituindo famílias. Assim, ficaram muito conhecidos  “Maceió”, “Aracati”, “Bahia” “Cabedelo”, “Pernambuco”, “Carioca” e os estrangeiros “Gascão”, “Marselhês”, “Galego”; bem como,  os capitães Adolfo Germano de Andrade, José dos Reis, Antônio Moreira da Costa Moraes, Joaquim Rauert, Peter Sorensen.

A marinhagem, então, movimentava a noite da cidade bebendo nas vendas e botecos, com ajuntamentos e alegres cantorias ao som de violões, a  organizar serenatas nas ruas em que moravam namoradas ou frequentando as casas de meretrício. Naquela época, essas casas ficavam situadas principalmente na Fazenda e na Coloninha.  A mais famosas dessas casas, no começo do século XX, pertencia à negra Tereza, ex-escravizada, que morava na rua Lauro Müller, pouco além da avenida Joca Brandão e merecera referência de Juventino Linhares em suas memórias. 

Já nos anos de 1950,  surgiram os bares voltados a atender a clientela de marujos estrangeiros, por conta da navegação de longo curso que se intensificara. Dois deles se fizeram conhecidos pontos da boemia da gente marítima e portuária: o Bar Dinamarca e o Texas Bar, este com a chamativa frase de efeito estampada em inglês na placa de anúncio: “Welcome to Texas Bar”.


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